As eleições municipais de 2020: um recall no Bolsonarismo?

Publicado em 9 de novembro de 2020 - 14:06h
César Figueiredo,
Doutor em Ciência Política e professor da UFT
E-mail: cesarpolitika@gmail.com

As eleições municipais possuem muita força, pois representam a distribuição política no Brasil em todas as regiões, bem como demonstram a capilaridade das atuais siglas partidárias e projetos políticos em curso. Além da importância no âmbito local de escolher gestores para as suas cidades, igualmente, podemos dizer que as eleições possuem dois objetivos de fundamental importância: 1) servir como referendo ou recall para as políticas implementadas pelos governantes, sobretudo dando um sinal para o chefe do executivo nacional; e, 2) funcionar de antessala para as eleições posteriores, especialmente nas grandes capitais.

Na literatura política muito se evidência a necessidade de haver um recall ou referendo político para os eleitores avaliarem os seus gestores eleitos e, se necessário, retirá-los via consulta popular. Essa reavaliação funciona em alguns países positivamente, já no Brasil tramita ad infinitum em instâncias deliberativas sem um acordo político. Não obstante, no caso brasileiro, podemos conceber como uma excelente resposta popular o resultado que haverá nas urnas municipais de 2020, podendo funcionar como um recall simbólico para o Presidente eleito em 2018. Conforme amplamente divulgado, o Presidente vem apresentando uma série de limitações na sua gestão e está longe de suprir os problemas nacionais, logo, essas eleições realmente operacionalizarão como um termômetro: aprovação ou rechaço.

Também, a partir dessa mensuração avaliaríamos os limites da bolha Bolsonarista, verificando se a mesma mantém igual viço desde as eleições de 2018 ou se ocorreu uma desinflada ideológica. Nesse sentido, as cidades funcionariam muito bem para avaliação dessa dinâmica, na medida que poderíamos analisar pelo quantitativo de prefeitos eleitos pró ou contra o governo Bolsonaro. Caso haja um recuo desse índice de votante e apoiadores Bolsonarista, consequentemente, poderíamos inferir seguramente que a ideologia circundante perdera o seu efeito. Mas ainda é cedo para tecer quaisquer prognósticos, precisamos, pois, esperar os resultados efetivos do pleito de 15 de novembro, ou seja, somente depois dos resultados podemos verificar os limites ou recuos do projeto político em curso.

Fechando a análise, conforme indicado, outra questão deveras importante é o sinal que as eleições municipais são antessala dos próximos pleitos, melhor dito, o curso eleitoral de 2022 já está muito presente na atual moldura política. Em síntese, devemos olhar com uma visão acurada para o atual cenário, pois as eleições de 2020 poderão lastrear politicamente o atual presidente e manter a sua bolha Bolsonarista inflada ou, talvez, alavancar novos e antigos personagens para as eleições vindouras, principalmente a partir da emergência de partidos políticos oponentes.

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