Luto e luta no Dia do Jornalista

Publicado em 7 de abril de 2019 - 12:31h

Aline Novaes*

Há exatos 88 anos, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) instituiu o dia sete de abril como Dia do Jornalista. A decisão foi motivada pela história de Giovanni Battista Líbero Badaró, jornalista de oposição à autoridade de Dom Pedro I. Uma homenagem a um homem de imprensa que enfrentou o poder na época da monarquia e foi assassinado por adversários.

Data é em homenagem a Libero Badaró, que enfrentou o poder na época da monarquia. Crédito: Reprodução

A bem da verdade, é intolerável constatar que a violência sofrida durante o império permanece em tempos de nossa frágil democracia, se é que ainda assim podemos denominar nosso governo. Para se ter uma ideia, em 2018, houve um aumento de 36,36% de casos de agressão a jornalistas quando comparado ao ano anterior. Os números foram divulgados, há três meses, pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Temos, à frente do Brasil, um presidente que compartilha fake news, desrespeita a imprensa tradicional e estimula perseguição à comunicação popular e comunitária. A repórter Constança Rezende, de “O Estado de S. Paulo”, foi atacada, recentemente, nas redes sociais. O motivo: Bolsonaro compartilhou, em seu twitter, uma notícia falsa do site Terça Livre, acusando-a de querer prejudicar Flávio Bolsonaro e incitar o impeachment do presidente.

Diante desse cenário, afirmo sem medo que não há nada para comemorar. Nós, jornalistas, estamos, sim, de luto. Mas esse luto não começou hoje. A comunicação popular, alternativa e comunitária tem um histórico de perseguição. No entanto, se houve e há perseguição, houve, há e haverá jornalismo de luta e resistência. E este é o nosso! Afinal, estamos do lado dos Direitos Humanos, cuja declaração universal afirma que “todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão. Esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”. Estamos do lado de quem acredita que nosso exercício não deve se render ao capital e a interesses políticos. Assim, nos inspira George Orwell, ao declarar que “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.” Por aqui, seguiremos fazendo jornalismo! (Publicado na Agência Brasil de Fato)

*Aline Novaes é jornalista e professora do IBMEC-RJ e da UNESA. Doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade e mestre em Comunicação Social, desenvolveu pesquisa de Pós-Doutorado na PUC-Rio. É autora do livro “João do Rio e seus cinematographos: o hibridismo da crônica na narrativa da belle époque carioca” (Mauad X/Faperj, 2015), indicado ao Prêmio Rio de Literatura, e co-organizadora de “Rio Circular: a cidade em pauta” (Autografia, 2016).

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