Um balanço crítico do governo Bolsonaro: o primeiro mês

Publicado em 1 de fevereiro de 2019 - 12:50h

César é doutor em Ciência Política e professor na UFT. Foto: Arquivo pessoal

Por César Figueiredo

Quando pensamos a respeito de um mandato presidencial, levamos em conta o projeto político que o chefe do executivo propõe no seu momento de campanha, a fim de poder acompanhar o seu mandato e tecer comparações e, mediante desempenho, podermos fazer críticas e cobranças. No caso de Bolsonaro tal mensuração comparativa torna-se objeto quase impossível, haja vista que o atual Presidente no momento de campanha não expôs nada de concreto acerca do seu projeto de nação, preferindo brindar o país com mensagens via rede social e entrevistas esparsas em canais de televisão, que ele julgava mais simpático à sua candidatura.

Para impulsionar a sua corrida ao Palácio do Planalto contou com efetivas forças em três segmentos, aparentemente equidistantes: 1) a igreja neopentecostal mais conservadora; 2) as forças da segurança pública, eminentemente a corporação militar da qual ele faz parte; e, 3) curiosamente um braço heterodoxo,muito ligado ao lobby da legalização do porte de armas. No entanto, precisava ganhar a elite para o seu lado, através de um projeto econômico que agradasse a todos os segmentos que o apoiavam, para esta empreitada chamou o obscuro banqueiro Paulo Guedes para ministro, notória figura arrolada em denúncias na área econômica. 

Porém, a elite nacional não estava disposta a colocar em xeque o passado contraditório do economista escolhido por Bolsonaro, pois estava mais interessado no projeto econômico que ele propunha: modelo político ultraliberal de desmonte do Estado. A classe média dividiu-se nessa demanda de qual seria o candidato ideal a escolher para o Palácio do Planalto, mas quem soube manipular com esmero as mídias foi Bolsonaro, com a narrativa que o PT era ladrão e não merecia o retorno à presidência. Bolsonaro assumiu com alcunha de mito, prometendo alijar de vez com toda a corrupção existente no país, retomando o discurso da moralidade nas contas públicas.

Não obstante toda o apoio popular que ganhou, bem como a tentativa de cunhar para si a figura do Bolsonarismo, acabou, contudo, derrapando no próprio discurso no primeiro mês de mandato: a sua família foi arrolada em malversação de dinheiro público. Como se não bastasse todo o imbróglio do escândalo de corrupção que depõe contra a família Bolsonaro, há ainda ligações suspeitas com as milícias dos Rio de Janeiro: braço frondoso que ainda carece de maiores explicações junto a política federal. Mas, a fim de conter a sangria edita uma nova lei extinguindo a transparência no serviço público, mediante esse novo regulamente haveria a possibilidade do Estado interpor recurso para não dar informações, melhor dito, seria uma volta da censura e imposição de sigilo para as próprias contas públicas do seu governo.

Como se não bastasse esses graves fatos, ainda o deputado federal Jean Wyllys renunciou ao cargo, pois está sendo ameaçado de morte e pediu asilo político. Portanto, nesse momento no Brasil, além de assassinatos políticos como a de Marielle Franco, agora temos também exilados políticos, revelando com grande espanto que não vivemos mais numa democracia efetiva no Brasil. Fechando o quadro funesto, ocorreu o crime ambiental da barragem de Brumadinho/MG e, para ajudar na solução da fatalidade, o Presidente encaminhou o seu ministro do Meio Ambiente; porém, ele também está sendo investigado por improbidade administrativa na gestão das contas pública em São Paulo: o Brasil realmente ficou num mar de lama e Bolsonaro fracassou no primeiro mês de mandato!

César Alessandro S. Figueiredo, doutor em Ciência Política, professor da Universidade Federal do Tocantins, onde atua na Linha de Pesquisa: Memória Política; Partidos Políticos; Ditadura Militar; Literatura Política.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of

Email: portalcpnoticias@gmail.com
Jornalista responsável: Dermival Pereira
Copyright®2018 - 2019 – CP Notícias Cleiton Pinheiro.

Criado por: