Apesar do avanço do debate sobre saúde mental, os homens ainda enfrentam barreiras profundas para reconhecer o sofrimento emocional e buscar ajuda profissional. Fatores culturais, padrões de masculinidade e estigmas sociais continuam alimentando o silêncio, a negligência com o cuidado psicológico e o agravamento de quadros que poderiam ser tratados precocemente.
De acordo com o médico psiquiatra, mestre em Ciências da Saúde e professor do curso de pós-graduação em psiquiatria da Afya Educação Médica de Palmas, Railson Freitas, essa resistência está diretamente ligada à forma como a masculinidade é socialmente construída. “O homem é educado para ser inabalável, forte, como se fosse proibido adoecer. A vulnerabilidade é associada à fraqueza, e buscar ajuda passa a ser interpretado como perda de controle. Isso cria um estigma profundo em relação ao cuidado com a saúde mental”, explica.
Desde a infância, muitos homens são ensinados a não expressar emoções, a não chorar e a resolver conflitos internos sozinhos. Essa lógica cultural contribui para que o sofrimento seja internalizado e silenciado ao longo da vida. “O silêncio masculino é alimentado por esse modelo de masculinidade que impõe o dever de não demonstrar fragilidade. O homem aprende que precisa suportar tudo sozinho, para não decepcionar expectativas sociais”, afirma Railson.
Esse padrão faz com que os sinais de sofrimento emocional nos homens, muitas vezes, passem despercebidos ou sejam interpretados de forma equivocada. Segundo o psiquiatra, diferentemente das manifestações mais clássicas de tristeza e choro, comuns em quadros depressivos femininos, o sofrimento masculino costuma aparecer de forma atípica. “É frequente vermos irritabilidade exacerbada, explosões de raiva, isolamento emocional, mergulho excessivo no trabalho como fuga, comportamentos de risco e aumento no consumo de álcool e outras substâncias. Isso é sofrimento psíquico, mas muitas vezes é tratado apenas como estresse ou traço de personalidade”, pontua.
As manifestações também diferem entre homens e mulheres nos quadros de ansiedade e depressão. “Enquanto nas mulheres os sintomas costumam ser mais internalizantes, como tristeza profunda e choro, nos homens a depressão frequentemente se apresenta de forma externalizante, por meio de hostilidade, agressividade e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas”, explica.
A negligência com a saúde mental masculina traz riscos graves. Entre eles, o mais extremo é o aumento da letalidade por suicídio, que é estatisticamente maior entre homens. “Além do uso de métodos mais violentos, há um histórico de ausência de tratamento prévio. O homem, em geral, não chega ao cuidado em saúde mental, e isso torna o desfecho mais grave”, alerta Railson. Além disso, o sofrimento psíquico não tratado pode agravar outras condições clínicas e comprometer a saúde de forma integral.
Nesse contexto, a rede de apoio tem papel fundamental. Família, amigos e ambientes de trabalho podem atuar como espaços de acolhimento e prevenção. “É preciso substituir o julgamento pela validação. Estar atento a mudanças bruscas de comportamento, oferecer escuta ativa e evitar frases de cobrança que reforcem a sensação de fracasso. A vulnerabilidade é humana, e buscar ajuda é um ato de coragem e inteligência emocional, não de fraqueza”, destaca o professor.
Para estimular o cuidado, Railson reforça que a saúde mental precisa ser compreendida como um pilar biológico tão importante quanto a saúde física. “Os homens precisam aprender a monitorar seus limites de estresse, evitar o uso de álcool como estratégia de enfrentamento e entender que procurar um profissional não é sinal de incapacidade. Sempre que necessário, buscar ajuda é uma atitude de proteção à própria vida”, conclui.
Sobre a Afya
A Afya, maior hub de educação e tecnologia para a prática médica no Brasil, reúne 38 instituições de ensino superior em todas as regiões do país, 33 delas com cursos de medicina e 20 unidades que promovem pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. São 3.653 vagas de medicina autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC), com mais de 23 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq, em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil, e “Valor 1000” (2021, 2023 e 2024) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 — Saúde e Bem-Estar. Mais informações em http://www.afya.com.br](http://www.afya.com.br), ir.afya.com.br e https://educacaomedica.afya.com.br