{"id":71515,"date":"2023-05-30T14:07:47","date_gmt":"2023-05-30T17:07:47","guid":{"rendered":"https:\/\/cleitonpinheiro.com.br\/site\/?p=71515"},"modified":"2023-05-30T14:07:50","modified_gmt":"2023-05-30T17:07:50","slug":"berco-das-aguas-cerrado-recebe-600-mi-de-litros-de-agrotoxico-por-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cleitonpinheiro.com.br\/site\/berco-das-aguas-cerrado-recebe-600-mi-de-litros-de-agrotoxico-por-ano\/","title":{"rendered":"Ber\u00e7o das \u00e1guas, Cerrado recebe 600 mi de litros de agrot\u00f3xico por ano"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cleitonpinheiro.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Design-sem-nome-2023-05-30T140658-compressed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-71516\" width=\"1018\" height=\"611\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo ano, s\u00e3o lan\u00e7ados 600 milh\u00f5es de litros de agrot\u00f3xico no Cerrado, bioma que concentrava mais da metade (52%) da \u00e1rea reservada ao plantio de soja de todo o pa\u00eds, na safra 2020\/2021, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Naquele per\u00edodo, o monocultivo de soja abrangia 38,5 milh\u00f5es de hectares. Um hectare corresponde \u00e0 \u00e1rea de um campo de futebol oficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma das informa\u00e7\u00f5es que constam do documento&nbsp;<em>Vivendo em territ\u00f3rios contaminados: um dossi\u00ea sobre agrot\u00f3xicos nas \u00e1guas do Cerrado<\/em>, que compila trabalhos cient\u00edficos sobre o assunto. O relat\u00f3rio foi elaborado pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) e pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e foi lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (30), dois dias antes da audi\u00eancia p\u00fablica&nbsp;organizada pelo deputado Nilto Natto (PT-SP), com o tema&nbsp;<em>Impactos dos Agrot\u00f3xicos em povos e comunidades tradicionais do Cerrado<\/em>, que acontecer\u00e1 \u00e0s 10h desta quinta-feira (1\u00ba), na C\u00e2mara dos Deputados, no \u00e2mbito das atividades da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os anos de 1985 e 2021, a extens\u00e3o das lavouras de soja no bioma aumentou cerca de 1.440%, ocupando o equivalente a 10% de sua \u00e1rea. A soja \u00e9 a cultura que mais tem demandado o uso de agrot\u00f3xicos. Mais de 63% desse tipo de produto vai para o plantio do gr\u00e3o. A forma como o agrot\u00f3xico \u00e9 lan\u00e7ado \u00e9 outro problema. Somente 32% do volume pulverizado atinge as plantas-alvo, enquanto 49% v\u00e3o para o solo e 16% s\u00e3o dispersados pelo ar para \u00e1reas vizinhas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o. O que se constata, portanto, \u00e9 que a contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 expressiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana Pontes, membro da equipe da secretaria-executiva da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que re\u00fane mais de 50 organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, alerta que, por tr\u00e1s do discurso de suposto desenvolvimento do bioma, que tem dado respaldo \u00e0 presen\u00e7a cada vez maior de grandes empreendimentos, da pecu\u00e1ria intensiva e do agroneg\u00f3cio, h\u00e1 um modelo de explora\u00e7\u00e3o na natureza das comunidades que vivem na regi\u00e3o. &#8220;E que traz muita viol\u00eancia, muita usurpa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos&#8221;, emenda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Cerrado \u00e9 uma das regi\u00f5es mais biodiversas do mundo, chegando a abrigar 5% da biodiversidade do planeta. E essa biodiversidade, toda essa riqueza devido \u00e0 perman\u00eancia, ao manejo das paisagens, \u00e0s lutas que v\u00eam sendo travadas h\u00e1 tantas gera\u00e7\u00f5es pelos povos e comunidades tradicionais do Cerrado. O Cerrado existe e resiste hoje devido aos modos de vida, aos saberes tradicionais das comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, geraizeiras, quebradeiras de coco baba\u00e7u, raizeiras e v\u00e1rias outras comunidades&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que est\u00e1 em debate, al\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o ao uso de agrot\u00f3xicos, \u00e9 o protesto contra transg\u00eanicos e outras biotecnologias que possam colocar em risco as diversas formas de vida. A campanha reivindica, ainda, a cria\u00e7\u00e3o de um projeto de lei (PL) que estabele\u00e7a a Pol\u00edcia Nacional de Redu\u00e7\u00e3o dos Agrot\u00f3xicos, que teria por fun\u00e7\u00e3o, paralelamente, o fomento a projetos de agroecologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As organiza\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em e campanha fazem uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es, conforme detalha Mariana, como a cria\u00e7\u00e3o de um canal oficial para den\u00fancias relacionadas ao uso de agrot\u00f3xicos e danos derivados dele; a&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/justica\/noticia\/2023-05\/stf-mantem-lei-do-ceara-que-proibiu-pulverizacao-aerea-de-agrotoxicos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>proibi\u00e7\u00e3o de pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, consolidada, inclusive, no Cear\u00e1<\/strong><\/a>, por decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, h\u00e1 alguns dias; a revis\u00e3o de par\u00e2metros de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, com a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de agrot\u00f3xicos examinado; o fim da isen\u00e7\u00e3o fiscal de agrot\u00f3xicos; o endurecimento de a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o; mais transpar\u00eancia do Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos (PARA), criado em 2001; a proibi\u00e7\u00e3o de uso de agrot\u00f3xicos barrados em outros pa\u00edses; e a derrubada do PL 1.459\/2022, conhecido como PL do Veneno. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/mudancas-em-legislacoes-poderao-impactar-saude-e-o-ambiente\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>PL recebeu cr\u00edticas<\/strong><\/a>&nbsp;da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e da Abrasco, que chegou a elaborar um&nbsp;<a href=\"https:\/\/abrasco.org.br\/dossieagrotoxicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>dossi\u00ea<\/strong><\/a>&nbsp;alertando sobre o que o uso de agrot\u00f3xicos representa para o meio ambiente e a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c1reas plantadas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/assuntos\/noticias\/producao-de-graos-crescera-27-nos-proximos-dez-anos-chegando-333-milhoes-de-toneladas\/NotadasProjeesdoAgronegcio20202021a20302031.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Proje\u00e7\u00f5es do Agroneg\u00f3cio<\/em><\/strong><\/a>, divulgado em julho de 2021, indica que, no Brasil, a \u00e1rea plantada com lavouras deve passar de 80,8 milh\u00f5es de hectares, patamar da safra 2020\/2021, para 92,3 milh\u00f5es, em 2030\/31. A principal respons\u00e1vel por essa expans\u00e3o \u00e9 a soja, com um total de 10,3 milh\u00f5es de hectares. Atr\u00e1s, v\u00eam a cana-de-a\u00e7\u00facar (mais 1 milh\u00e3o) e o milho (2,1 milh\u00f5es de hectares. Outras culturas dever\u00e3o perder espa\u00e7o, como a mandioca, o caf\u00e9, o arroz, a laranja e o feij\u00e3o. &#8220;Sendo que a \u00e1rea do territ\u00f3rio \u00e9 de 851,49 milh\u00f5es de hectares, a \u00e1rea de lavouras dever\u00e1 ocupar em 2030, 10,8% do espa\u00e7o territorial&#8221;. Quem assina o levantamento \u00e9 a Secretaria de Pol\u00edtica Agr\u00edcola do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, em conjunto com a Secretaria de Intelig\u00eancia e Rela\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Sire\/Embrapa) e o Departamento de Estat\u00edstica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe de pesquisadores que assina o&nbsp;<em>Proje\u00e7\u00f5es do Agroneg\u00f3cio<\/em>&nbsp;tamb\u00e9m sublinha que as regi\u00f5es Centro-Oeste e Norte s\u00e3o as que dever\u00e3o ter os maiores aumentos relativos de produ\u00e7\u00e3o e \u00e1rea e que, entre os estados do Norte, Tocantins e Rond\u00f4nia dever\u00e3o liderar a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. O Cerrado abrange tanto estes dois estados como a regi\u00e3o Centro-Oeste, os estados de Minas Gerais, Bahia, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e partes do Amap\u00e1, Roraima e Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador Andr\u00e9 Pereira, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) afirma que o processo pelo qual o bioma passa agora \u00e9 tamb\u00e9m resultado de uma decis\u00e3o de anos atr\u00e1s, de se ocupar o centro do Brasil, &#8220;tanto \u00e9 que se fez a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia no Cerrado&#8221;. Ele explica que, antes, havia uma perda grande de solo, que foi sendo contornada com o aprimoramento de conhecimentos. T\u00e9cnicas como a calagem, por exemplo, que consiste em aplicar no solo rocha mo\u00edda, para corrigir o pH e garantir a nutri\u00e7\u00e3o devida de plantas, t\u00eam sido aliadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A eleva\u00e7\u00e3o da produtividade \u00e9 algo muito importante para a gente reduzir a press\u00e3o sobre o bioma&#8221;, diz Pereira. &#8220;A gente espera que, daqui pra frente, nenhum hectare a mais, no Cerrado, seja desmatado para \u00e1rea de cultivos. Vamos avan\u00e7ar em produtividade e produ\u00e7\u00e3o em \u00e1reas j\u00e1 cultivadas, pastagens degradadas. A ci\u00eancia evolui justamente para isso, para que fa\u00e7amos agricultura em \u00e1rea de pastagem degradada. Nosso grande desafio, enquanto humanidade, \u00e9 conservar esse resto de Cerrado que est\u00e1 presente, aumentar a produtividade nessas \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o cultivadas e avan\u00e7ar tamb\u00e9m em produ\u00e7\u00e3o em \u00e1rea de pastagem degradada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estado atual do Cerrado exige um conjunto inadi\u00e1vel de a\u00e7\u00f5es, segundo a vice-presidente do Conselho Nacional das Popula\u00e7\u00f5es Extrativistas (CNS), Maria do Socorro Lima. &#8220;A fauna e a flora se acabaram com o fogo, a derrubada e o uso indiscriminado de agrot\u00f3xico pelas grandes empresas. Essa \u00e9 a verdade&#8221;, diz ela, que tamb\u00e9m integra a Rede Cerrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Cerrado e a Amaz\u00f4nia, eu digo que s\u00e3o um casal muito importante nas nossas vidas, porque um depende do outro. A Amaz\u00f4nia sem o Cerrado n\u00e3o \u00e9 a Amaz\u00f4nia e nem o Cerrado sem a Amaz\u00f4nia \u00e9 o Cerrado, O Cerrado precisa de chuva para juntar e estocar \u00e1gua. Da Amaz\u00f4nia n\u00f3s precisamos porque \u00e9 ela quem faz chover&#8221;, resume Maria sobre a din\u00e2mica de interdepend\u00eancia que se estabelece, entre os dois biomas, na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0solicitou posicionamento da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) sobre as medidas que t\u00eam adotado para controle dos agrot\u00f3xicos e sobre a libera\u00e7\u00e3o do uso de produtos proibidos em outros pa\u00edses e aguarda resposta. Os minist\u00e9rios do Meio Ambiente e da Agricultura e Pecu\u00e1ria tamb\u00e9m foram procurados pela reportagem e tamb\u00e9m n\u00e3o deram retorno. <em><strong>(Da Ag\u00eancia Brasil).<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo ano, s\u00e3o lan\u00e7ados 600 milh\u00f5es de litros de agrot\u00f3xico no Cerrado, bioma que concentrava mais da metade (52%) da \u00e1rea reservada ao plantio de soja de todo o pa\u00eds, na safra 2020\/2021, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Naquele per\u00edodo, o monocultivo de soja abrangia 38,5 milh\u00f5es de hectares. 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