{"id":84708,"date":"2025-02-26T14:03:16","date_gmt":"2025-02-26T17:03:16","guid":{"rendered":"https:\/\/cleitonpinheiro.com.br\/site\/?p=84708"},"modified":"2025-02-26T14:03:24","modified_gmt":"2025-02-26T17:03:24","slug":"nos-ultimos-cinco-anos-rios-ficam-mais-secos-no-amazonas-durante-temporada-de-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cleitonpinheiro.com.br\/site\/nos-ultimos-cinco-anos-rios-ficam-mais-secos-no-amazonas-durante-temporada-de-queimadas\/","title":{"rendered":"Nos \u00faltimos cinco anos, rios ficam mais secos no Amazonas durante temporada de queimadas\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"120\" height=\"120\" src=\"https:\/\/cleitonpinheiro.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Barbara-Aguiar-120x120-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84710\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>B\u00e1rbara Aguiar<\/strong>\u00a0&#8211; jornalista em forma\u00e7\u00e3o pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA-USP)<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2020 e 2024, os meses de julho a outubro tiveram queda cont\u00ednua nas cotas de sete esta\u00e7\u00f5es de monitoramento em cinco dos principais rios da bacia do Amazonas. Tamb\u00e9m foi nesse mesmo per\u00edodo que houve o registro de 93% (90.998) dos focos de fogo no Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2020 e 2024, \u00e0 medida que os focos de calor aumentavam no Amazonas, pelo menos cinco rios no estado enfrentaram secas, com baixa cont\u00ednua em sete das 13 esta\u00e7\u00f5es de monitoramento do n\u00edvel das \u00e1guas nos rios Amazonas, Purus, Solim\u00f5es, Negro e Paran\u00e1 do Careiro. \u00c9 o que revela uma an\u00e1lise exclusiva da&nbsp;<strong>InfoAmazonia<\/strong>, com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de esta\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (SGB), que monitoram os n\u00edveis na bacia amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos mesmos meses de secas nos rios, os dados do Inpe apontam uma tend\u00eancia de aumento nos inc\u00eandios florestais tamb\u00e9m entre julho e outubro nos \u00faltimos cinco anos. Juntos, esses meses somaram 94% (90.998) dos focos de calor no estado na temporada. Nesse per\u00edodo, os boletins do SGB mostram queda cont\u00ednua de \u00e1gua em cinco dos principais rios da bacia Amaz\u00f4nica. Todos registraram n\u00edveis de \u00e1gua abaixo do normal, o que causou escassez h\u00eddrica e prejudicou, principalmente,&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2024\/09\/07\/comunidades-ribeirinhas-do-amazonas-enfrentam-dificuldade-para-conseguir-agua-potavel-por-causa-da-seca-extrema.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>comunidades ribeirinhas<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do engenheiro ambiental e hidr\u00f3logo Ayan Fleischmann, que atua como pesquisador no Instituto Mamirau\u00e1, voltado para a conserva\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, a seca dos rios e o alto n\u00famero de inc\u00eandios t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com um mesmo problema: a redu\u00e7\u00e3o de chuvas por fen\u00f4menos associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm ano mais seco, com menor quantidade de chuvas, tende a aumentar as queimadas e reduzir a umidade, criando condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o do fogo. Por isso, \u00e9 comum que esses eventos ocorram simultaneamente\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impactos dos inc\u00eandios no volume de chuvas&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o aumento no n\u00famero de inc\u00eandios e a seca na Amaz\u00f4nia \u00e9 complexa e ainda n\u00e3o foi totalmente explicada pela ci\u00eancia. No entanto, h\u00e1 estudos que indicam que a queima de \u00e1reas florestais tem efeito direto na forma\u00e7\u00e3o de nuvens de chuva.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" width=\"600\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NbpPVP92RThjiQ-EgS9qMeXESQlHBRpSa38tkIGzLRNUvuH_8k-kL6t56sgHcJPWo19wvvta-V0EGM8OIn0aSCY01QliMso1eGPPWjEGqXm3ZxooaZb1Wdi4YIUqshmmVALO5Nh7BSGPejP7wDKkPDnVa0L1S460GKQQ-GeEAhSyfIpR-2KWmb0Mi1Y6XPoHTGUYzIe-CPfgWoHzJ0eKkpYf-KxnYzTPJTfEdTNlOLmYaNmKPHkGuHr6NEoZt2xQrwgaCjHxfa6_-u6-ZeLOUbXWmY=s0-d-e1-ft#https:\/\/s2502.imxsnd15.com\/60EmOlVjYiF2N602bj5CbpFWbnB0chl2YpR3buB3YsFGdy9Gc6AzNwUDNwETO5MjOn5GcuYjMmNzYhZWZyYjM0ETOjVzMjRTO4UGOkBTZmBzNiNGMGJTJiNGMGJTJzEjNxMjRyUiNyYTMx8VL1ETLf9VLwITLfpzM\" alt=\"\"><br>Fuma\u00e7a e grande faixa de areia marcaram a paisagem do porto de Tef\u00e9 em meses de seca. Cidade fica \u00e0s margens do Rio Tef\u00e9, afluente do Amazonas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Ribeirinhas da Amaz\u00f4nia)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) descobriram em 2021 que as part\u00edculas de fuma\u00e7a liberadas pelos inc\u00eandios propiciam uma atmosfera mais est\u00e1vel, o que pode limitar a ascens\u00e3o das massas de ar e impedir que as nuvens atinjam a altura adequada para o resfriamento das gotas de \u00e1gua. A descoberta foi publicada em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s43247-021-00250-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>um artigo da revista cient\u00edfica Communications Earth &amp; Environment<\/u><\/a>, do grupo Nature, um dos mais importantes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa analisou imagens de sat\u00e9lites, dados de fot\u00f4metros solares, que s\u00e3o instrumentos utilizados para medir a radia\u00e7\u00e3o solar, e medi\u00e7\u00f5es de part\u00edculas formadas pelas queimadas para mostrar como os res\u00edduos de fuma\u00e7a inibiam o desenvolvimento de nuvens de chuva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA fuma\u00e7a de queimadas cont\u00e9m uma quantidade gigantesca de part\u00edculas de aerossol que, tamb\u00e9m estando presentes na atmosfera, podem influenciar como as gotas de nuvens s\u00e3o formadas e o processo de congelamento subsequente\u201d, explica Alexandre Correia, um dos autores da pesquisa, em entrevista&nbsp;<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/cientistas-revelam-como-queimadas-afetam-formacao-de-nuvens-de-chuva-na-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>ao Jornal da USP<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o estudo, a temperatura de glacia\u00e7\u00e3o (ponto em que a \u00e1gua come\u00e7a a congelar) m\u00e9dia em nuvens convectivas na Amaz\u00f4nia depende da umidade e quantidade de aerossol presente na atmosfera. Em ambientes com muitas part\u00edculas de aerossol, as got\u00edculas formadas s\u00e3o menores e demoram mais para se congelar \u2014 esse atraso promove o crescimento de nuvens mais altas e profundas, mas pode diminuir a efici\u00eancia do processo de precipita\u00e7\u00e3o porque as gotas menores t\u00eam menos probabilidade de coalescer e formar gotas de chuva maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de prejudicar a forma\u00e7\u00e3o de chuva, um dos res\u00edduos liberados durante a queima \u00e9 o carbono negro, um poluente clim\u00e1tico de curta dura\u00e7\u00e3o que fica suspenso no ar por alguns dias ou semanas, mas com&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/o-que-e-o-carbono-negro-elemento-liberado-nas-queimadas-da-amazonia-cujo-impacto-climatico-e-ate-15-mil-vezes-superior-ao-co2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>impacto at\u00e9 1.500 vezes maior que o di\u00f3xido de carbono no aquecimento global.<\/u><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2024: o ano mais severo nos \u00faltimos cinco anos&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo da an\u00e1lise, o ano de 2024 foi um dos mais severos no Amazonas. O estado enfrentou um conjunto de situa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas: a seca&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2024\/11\/14\/seis-principais-rios-da-bacia-do-amazonas-tem-menor-nivel-da-historia-em-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>hist\u00f3rica dos principais rios da regi\u00e3o<\/u><\/a>&nbsp;e o alto n\u00famero de inc\u00eandios florestais. Entre julho e outubro, o estado acumulou 94%&nbsp;<strong>(24.005)<\/strong>&nbsp;focos de calor do ano, um recorde desde 1998, quando o Inpe iniciou a s\u00e9rie hist\u00f3rica \u2014 \u00e0 \u00e9poca, foram 737 focos no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante todo o ano passado, por exemplo, o Amazonas registrou 25.499 focos de calor. Tr\u00eas meses bateram o recorde hist\u00f3rico de toda temporada: julho (4.241), agosto (10.328), e at\u00e9 junho (258), que geralmente \u00e9 um per\u00edodo com menor incid\u00eancia de queimadas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os rios que mais perderam volume de \u00e1gua nos meses analisados foram: o Purus (queda de 1.407 cm, na esta\u00e7\u00e3o de Beruri, equivale a 14 metros \u2013 aproximadamente a altura de um pr\u00e9dio de quatro andares), o Solim\u00f5es (queda de 1.394 cm, em Manacapuru) e o Paran\u00e1 do Careiro (queda de 1.306 cm).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"525\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZNX3e7g7CEbeESYeS3XoM_t9oy6l22Neqh7oIlGWb53PMEQsgi3UJ0Etc3JqiDM86tAQoQ637OEiqYwLGMxqQYY0hrHs6Zmxvo1uWqcB99AypkbFdn7C0JUzxpC6x8DZA3yL_Ag1qXVTNF9xTDyl3jHReHqGoVxMzGOAOU56WLUJdFoccGjEqahAENPiJDyXDbwSfJeOT6sMajNVG6nY287UySRXCycxZe2w-fKIH8Esubq1ax0rcDe5wzH4suLJUEsdvO5nnHA5M0HKjQyEwzSjk=s0-d-e1-ft#https:\/\/s2502.imxsnd15.com\/70EmO4UjZ4IjZ602bj5CbpFWbnB0chl2YpR3buB3YsFGdy9Gc6AzNwUDNwETO5MjOn5GcuUGZxMWZ1IWN0E2MkRWZ1MzMxQmYiR2Y4E2M0kTNjJzMGJTJjJzMGJTJzEjNxMjRyUiNyYTMx8VL1ETLf9VLwITLfpDO\"><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>O rio Solim\u00f5es, respons\u00e1vel pelo abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel de&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/am\/amazonas\/noticia\/2024\/08\/04\/seca-do-rio-solimoes-pode-afetar-abastecimento-de-agua-potavel-em-tabatinga-no-am.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>metade das 72.283 pessoas que vivem em Tabatinga<\/u><\/a>, tamb\u00e9m est\u00e1 entre os mais impactados e registrou seca nas quatro esta\u00e7\u00f5es monitoradas pelo SGB (Fonte Boa, Itapeu\u00e1, Manacapuru e Tabatinga). Em Tabatinga, o Solim\u00f5es perdeu 529 cm de \u00e1gua e ficou em -79 cm (117,5%) entre julho e outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes mesmo de encerrar, 2024 demonstrava ser o ano de seca sem precedentes para os principais rios da bacia do Amazonas. Em outra an\u00e1lise exclusiva, feita em outubro, a InfoAmazonia revelou que em 11 das 16 esta\u00e7\u00f5es de monitoramento nos seis rios registraram&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2024\/11\/14\/seis-principais-rios-da-bacia-do-amazonas-tem-menor-nivel-da-historia-em-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>os n\u00edveis mais baixos dos \u00faltimos 122 anos<\/u><\/a>, desde o in\u00edcio do monitoramento do SGB. Na \u00e9poca, a reportagem identificou uma mudan\u00e7a no padr\u00e3o da seca: os rios secaram mais cedo do que o previsto, entre o final de setembro e o come\u00e7o de outubro, quando o esperado seria seca no final de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os rios com n\u00edveis de \u00e1gua extremamente baixos em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de focos de inc\u00eandio est\u00e1 o Paran\u00e1 do Careiro, que perdeu 102% do volume de \u00e1gua em apenas cinco meses. A diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel come\u00e7ou em julho, quando o rio registrava 1.324 cm de \u00e1gua, e atingiu -25 cm no in\u00edcio de novembro. Em 2023, no mesmo per\u00edodo, o volume de \u00e1gua era positivo, com 47 cm. A seca severa de 2024 ocorreu alguns meses ap\u00f3s o estado enfrentar o recorde de 24 mil focos de calor registrados entre julho e outubro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"525\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NaOGkT7uWCzbHqNV978sycH3yVoQi9Tr7sF_FIjX7Fg8mICzt17hsCYKzWN-p2uuh2pT2KM5lu09KdcDsPgMVd-GkUSTrsEvEZDS8xMZFrvgotti2I1Ds11gC-wRMVSnzlWK5NFuCUwjXukbtrOu82ZMN-Mod_lrfg-iOBK6YaT3Aw4AFY0Ki8CM2h0-YKMmp5YbtN__ihCW1gDzUlNhL2Ui9e9uWl8Jv52omVun4nv3_uuh2OY-JDrQnDTTskq0lTHzriPsO6qdEOmTLjsijD__WM=s0-d-e1-ft#https:\/\/s2502.imxsnd15.com\/50EmOldTZ2UGM602bj5CbpFWbnB0chl2YpR3buB3YsFGdy9Gc6AzNwUDNwETO5MjOn5GcuI2MiljZkZGN2MDZ2UWZmRmZ5gzYxEmMiZDZ1Q2MhdDOGJTJhdDOGJTJzEjNxMjRyUiNyYTMx8VL1ETLf9VLwITLfpzN\"><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A seca e o impacto na biodiversidade&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A falta de \u00e1gua impacta na vida da popula\u00e7\u00e3o e, principalmente, na sobreviv\u00eancia dos peixes. O bi\u00f3logo Guillermo Estupinan, que \u00e9 especialista em recursos pesqueiros na Wildlife Conservation Society (WCS) Brasil, organiza\u00e7\u00e3o que atua com a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, explica que a seca nos rios faz com que a temperatura da \u00e1gua fique mais quente e peixes morrem por falta de oxig\u00eanio. Al\u00e9m disso, h\u00e1 casos em que esses animais encalham em bancos de areia e at\u00e9 ficam presos em pequenos lagos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs peixes morrem afogados pela falta de oxig\u00eanio, principalmente. Com o baixo n\u00edvel de \u00e1gua, a alta temperatura e muitos peixes concentrados no mesmo local, o consumo de oxig\u00eanio \u00e9 mais alto do que o que est\u00e1 dispon\u00edvel na \u00e1gua\u201d, afirma o bi\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m aponta que, em alguns casos, peixes podem morrer mesmo em lagos com grande volume de \u00e1gua devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o causada pelas queimadas. \u201cParte da vegeta\u00e7\u00e3o queimada se decomp\u00f5e, liberando sulfato e outros compostos qu\u00edmicos. Esses elementos se misturam \u00e0 \u00e1gua, levando \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o e asfixia de muitos peixes que permanecem na regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, morreram&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2024\/06\/20\/rio-em-fluxo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>209 golfinhos amaz\u00f4nicos<\/u><\/a>&nbsp;\u2014 178 botos-vermelhos e 31 tucuxis \u2014 devido ao superaquecimento das \u00e1guas no lago Tef\u00e9, localizado a 14,7 km do rio Tef\u00e9, um afluente do Solim\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, o caso foi revelado pelo Instituto Mamirau\u00e1, que se dedica ao estudo de aspectos biol\u00f3gicos, ecol\u00f3gicos e demogr\u00e1ficos relativos a cinco esp\u00e9cies de mam\u00edferos aqu\u00e1ticos da regi\u00e3o amaz\u00f4nica: peixe-boi, tucuxi, boto vermelho, ariranha e lontra. O lago Tef\u00e9 alcan\u00e7ou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/acompanhe-o-mcti\/noticias\/2024\/09\/cenario-em-que-botos-morreram-em-2023-pode-se-repetir-alerta-instituto-mamiraua\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>mais de 40\u00b0C naquele ano<\/u><\/a>, segundo o instituto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Seca muda rotina de ribeirinhos&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nos rios e da degrada\u00e7\u00e3o ambiental na Amaz\u00f4nia, agravados pelas queimadas, transformam a rotina das comunidades ribeirinhas. As irm\u00e3s Fabiane e Fab\u00edola Pedrosa, moradoras da comunidade Santa Luzia do Bar\u00e9, recordam que, em 2024, at\u00e9 mesmo a locomo\u00e7\u00e3o se tornou um desafio. A regi\u00e3o fica localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Aman\u00e3, \u00e0s margens do Lago Aman\u00e3, no m\u00e9dio rio Solim\u00f5es, pr\u00f3ximo \u00e0 conflu\u00eancia com o rio Japur\u00e1, distante 527 km de Manaus.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" width=\"600\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NbJ05jCzTSuZxfESbWTvgGM-17i4fWO1oFdhdvYxfo-5TfDj08tOWMC8D8lHe25jplHBl7AZ2sVQXHVoOLfYesoGmGOZ_sEcUfE7Djf89smkuJBTY6TGhH8VSpgpZZGoDD0O7WyFBp6286-Hq0N6pQoF_Uoc4WoCp5TzDDeoffQQuefmLK3SQnBSJxGVYbsUgUHIBPViFZUOPOT5Q8zomlKI_rX-J3kGKQP_AZGKCZWy3019qOsTkhzB_HtdTacAZZhRx2B-4FEIYCcXA4g8zqRxgw=s0-d-e1-ft#https:\/\/s2502.imxsnd15.com\/00EmOhFjNiljY602bj5CbpFWbnB0chl2YpR3buB3YsFGdy9Gc6AzNwUDNwETO5MjOn5GcuEjMmZDOzcTNlNjM3QTY5UjMwMjYyYWO0MmY5czYxQGMGJTJxQGMGJTJzEjNxMjRyUiNyYTMx8VL1ETLf9VLwITLfpDM\" alt=\"\"><br><em>Fabiane e Fab\u00edola arrastam canoa por um pequeno rastro de \u00e1gua at\u00e9 o lago (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Ribeirinhas da Amaz\u00f4nia)<\/em>\u00a0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>As duas compartilham em um canal no YouTube, o \u201cRibeirinhas da Amaz\u00f4nia\u201d, o dia a dia na comunidade, incluindo situa\u00e7\u00f5es adversas como as causadas pela seca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente teve muita dificuldade para sair da nossa comunidade at\u00e9 a cidade mais pr\u00f3xima, Tef\u00e9, para comprar mantimentos. Muita gente nem conseguiu sair daqui at\u00e9 a cidade devido a ter ficado muito seco mesmo, muito dif\u00edcil o acesso. Muitas passagens fecharam, \u2018taparam\u2019, como a gente diz aqui. Ent\u00e3o, nem de canoa e de transporte menor est\u00e1vamos conseguindo\u201d, relata Fab\u00edola.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fab\u00edola, a solu\u00e7\u00e3o para diminuir as dificuldades nos meses de seca vai al\u00e9m de oferecer cestas b\u00e1sicas, como ocorreu em 2023, quando o governo do Amazonas distribuiu alimento e outros suprimentos a algumas regi\u00f5es. Ela defende que o principal \u00e9 garantir que as comunidades ind\u00edgenas e ribeirinhas tenham acesso \u00e0 \u00e1gua e energia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara ligar a bomba d\u2019\u00e1gua, tem que ter o gerador de luz. \u00c9 uma coisa dependendo da outra. Se n\u00e3o tem diesel para abastecer o motor, para ligar a bomba d\u2019\u00e1gua, n\u00e3o adianta de nada ter um po\u00e7o. Ent\u00e3o, o governo investir nisso, deixar bastante combust\u00edvel para as comunidades, ou fazer a instala\u00e7\u00e3o de um painel solar s\u00f3 para usar no po\u00e7o, para n\u00e3o ter esse gasto com diesel, com motor, seria mais pr\u00e1tico\u201d, pontua ela, que sugere tamb\u00e9m a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os em comunidades que ainda n\u00e3o possuem \u00e1gua encanada.<\/p>\n\n\n\n<p>Fab\u00edola enfatiza, ainda, a necessidade de uma aten\u00e7\u00e3o maior \u00e0 sa\u00fade, com doa\u00e7\u00f5es de medicamentos, kits de primeiros socorros e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de profissionais de modo cont\u00ednuo para o atendimento b\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" width=\"600\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NY3xrSzIqBO_463JeHu5gUCStHepedVmfBJWnwO7FfuNHXogfYWrSdIsygh4GxOk9fM_lI5B12oeKQomtQGnnJDH0qX9pc2jXIKHEl43E107I_hv1wW0oBLoQjP0ZvgSrr-nrFKVu79O9mk9VnP9idm9f7b0pi9TbigSPAFgtDnWeSy7kvJ_7BhpdfpPrUmaFdl-dVPOJw1pjZ82Fam8dd4FKlT4AGj89iTNZVkNoiZIUBkERn_CR1WI8OkA-xotu0CoBtOaj3Hbx0BkOtro-D7uEQ=s0-d-e1-ft#https:\/\/s2502.imxsnd15.com\/60EmOwITMjJGN602bj5CbpFWbnB0chl2YpR3buB3YsFGdy9Gc6AzNwUDNwETO5MjOn5GcuATNjdTM1UWYzMTN3QWNkRzNxkzM5MGNklTZmVmYzQjMGJTJzQjMGJTJzEjNxMjRyUiNyYTMx8VL1ETLf9VLwITLfpDN\" alt=\"\"><br><em>Moradores de Santa Luzia do Bar\u00e9, no lago Aman\u00e3, enfrentam jornada de at\u00e9 2 dias para chegar \u00e0 cidade mais pr\u00f3xima, Tef\u00e9 (Foto: Google Earth\/LandSat)<\/em>\u00a0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente, os moradores de Santa Luzia do Bar\u00e9 contam com uma unidade b\u00e1sica de sa\u00fade em Boa Esperan\u00e7a, outra comunidade da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Aman\u00e3, onde os m\u00e9dicos ficam dispon\u00edveis para atender apenas metade do m\u00eas. Quando os profissionais n\u00e3o est\u00e3o no local, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 se locomover at\u00e9 Tef\u00e9 \u2014 caminho longo para algu\u00e9m doente ou ferido, principalmente com os rios secos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodos ficamos muito assustados com isso, deu muito medo, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. Esse ano foi um dos anos que parei para refletir\u2026 A gente j\u00e1 tem consci\u00eancia disso, mas esse foi um dos anos mais desafiadores para a gente que mora aqui dentro da reserva. Para sair tem que ter muita coragem\u201d, desabafa a moradora que espera uma realidade diferente em 2025.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><img decoding=\"async\" width=\"600\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_Nan4V4FpmozOx3Nu4pkNt534yqOR37t5vzDYpuPlIztnfTNf69XVupSKUS0hflXsWNfOOP3GuLWMQFUyltGoA42l-h7TYfoX72I1ZAxrOB9fgbxv3XCnEOqN45p4etYUOgDA75kdpgUYMMH2ED91wxOPyBEuhtJ4LQgOyXUksonItWPLiBuEgTOqCWtifYjUbHTu-KT0BEdpllPOrFMcAwCm-y3N-HNfH5icqeK1CAHVj7bFiF9avdDRirsEw38zOTo0dsKbrB87hIV_RBEbC5FSLo=s0-d-e1-ft#https:\/\/s2502.imxsnd15.com\/70EmOhJTOjVDN602bj5CbpFWbnB0chl2YpR3buB3YsFGdy9Gc6AzNwUDNwETO5MjOn5GcuQWZ4czYjNGOjNmNyYTO4EmY3Y2NwYDO1MDOlR2NzUGNGJTJzUGNGJTJzEjNxMjRyUiNyYTMx8VL1ETLf9VLwITLfpDO\" alt=\"\"><br>Flutuante encalhado na beira do rio Amazonas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Ribeirinhas da Amaz\u00f4nia)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta reportagem contou com o apoio do Programa Vozes pela A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica Justa (VAC), que atua para amplificar a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais e busca desempenhar um papel central no debate clim\u00e1tico global. A InfoAmazonia faz parte da coaliz\u00e3o \u201cFortalecimento do ecossistema de dados e inova\u00e7\u00e3o c\u00edvica na Amaz\u00f4nia Brasileira\u201d com a Associa\u00e7\u00e3o de Afro Envolvimento Casa Preta, o Coletivo Puraqu\u00e9, PyLadies Manaus, PyData Manaus e a Open Knowledge Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>B\u00e1rbara Aguiar\u00a0&#8211; jornalista em forma\u00e7\u00e3o pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA-USP) Entre 2020 e 2024, os meses de julho a outubro tiveram queda cont\u00ednua nas cotas de sete esta\u00e7\u00f5es de monitoramento em cinco dos principais rios da bacia do Amazonas. 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