Política

À PF secretário detalha propinas na gestão Carlesse e cita fala de Gaguim sobre suposto pagamento a Wanderlei

Por Dermival Pereira

Secretário da Cidadania e Justiça do Tocantins, Heber Fidelis – Foto: Governdo do Tocantins

O secretário de Estado da Cidadania e Justiça do Tocantins, Heber Fidelis, fez várias revelações em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 23 de novembro deste ano. O depoimento foi feito no âmbito das investigações que apuram pagamento de propina a membros do alto escalão do governo do Tocantins e que resultou no afastamento do governador Mauro Carlesse (PSL), de secretários de Estado e de praticamente toda a cúpula da Secretaria de Segurança pública.

Ele alega ter sofrido pressão para deixar o cargo após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que afastou Carlesse, cita ameaças a sua esposa, influência de deputados na suposta perseguição a delegados da Polícia Civil com o objetivo de barrar investigações contra aliados políticos do governador, e até uma suposta conversa com o deputado federal Carlos Gaguim (DEM), que na oportunidade teria dito que Carlesse dispunha de provas para incriminar o governador em exercício, Wanderlei Barbosa, sobre um suposto recebimento de propina na compra de cestas básicas.  

Foi aliado de primeira hora

Fidelis que agora resolveu falar de forma voluntária e fazer diversas acusações a gestão do governador afastado foi um aliado de primeira hora e homem de confiança do Governo Carlesse. Ocupa o cargo de Secretario de Cidadania e Justiça do estado de Tocantins desde 20 de abril de 2018, também foi secretário interino de Segurança Pública nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano. Agora, ele revela perseguição, pressão e ameaças por parte do grupo do recente aliado Carlesse.

À PF, Fidelis detalhou o funcionamento de um suposto esquema de cobrança de propina aos prestadores de serviços do Executivo Estadual, que estava sob o comando do sobrinho do governador, o então secretário de Parcerias e Investimentos Claudinei Quaresemin. Os pagamentos de propina, segundo Fidelis afirmou a PF, estavam centralizados em cinco secretarias, sendo elas a Fazenda, Planejamento, Casa Civil, Infraestrutura e de Parcerias e Investimentos, tudo sob o controle de Quaresemin.

Wanderlei é citado

Em outro trecho do depoimento dado a PF, Fidelis disse que dias antes de ir a corporação prestar depoimento ele teria encontrado o deputado federal Carlos Gaguim, aliado de Carlesse, e o parlamentar teria pedido para que o novo governo (Wanderlei Barbosa) não insistisse em abrir novas investigações em desfavor de Mauro Carlesse; Que Gaguim afirmara que o governador afastado teria provas de que o Governador Wanderley teria recebido propinas relativos ao contrato de aquisição de cestas básicas da Secretaria de Assistência Social do Estado.

Wanderlei avisado sobre ameaças de Carlesse

O secretário Heber Fidelis, da Cidadania e Justiça do Tocantins, disse no início da tarde desta sexta-feira, 17, durante contato com a reportagem do CP Notícias que logo após sua conversa com o deputado federal Carlos Gaguim (DEM), na qual o parlamentar teria pedido para que o novo governo (Wanderlei Barbosa) não insistisse em abrir novas investigações em desfavor de Mauro Carlesse, que avisou Barbosa sobre a conversa com Gaguim.

Segundo Fidelis, imediatamente, Wanderlei teria feito contato com o deputado e os dois tiveram uma intensa discussão por causa das acusações feitas por Gaguim. “O governador Wanderlei disse ao Gaguim que não tinha medo das ameaças de Mauro Carlesse e que seguiria investigando as supostas irregularidades do governo”, pontuou o secretário. As duas conversas ocorreram, segundo Fidelis, antes de seu depoimento a PF.



Pressão de deputados

Outra declaração do secretário foi de que os deputados Olyntho Neto (PSDB) e Ricardo Ayres (PSB) pressionavam o governador Mauro Carlesse e Claudinei Quaresemin a retirarem os delegados da DECCOR e DRACMA Delegacias de Combate à Corrupção. Essas investigações afetavam o Governo e aliados, incluindo a família do pai de Neto, que se envolveu no escândalo da coleta de lixo hospitalar em Araguaína e chegou a ser preso.


Ameaças a esposa

Fidelis disse ainda, no depoimento, que um bilhete anônimo contendo ameaças fora deixado na mesa de trabalho da sua esposa, Andreia Braga, na sede do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO). Conforme consta na declaração do secretário, no bilhete estava escrito: “Torçam para o governo anterior não retornar, pois nunca mais irão trabalhar no Estado”.

Claudinei Quaresemin se posciona

Em nota, o ex-secretário se posicionou sobre o depoimento de Fidelis. Veja. “O ex-secretário de Estado de Parcerias e Investimentos, Claudinei Quaresemin, nega totalmente as acusações inverídicas do secretário Héber Fidelis, em depoimento à Polícia Federal, no último dia 23 de novembro.

Quaresemin também afirma desconhecer os atos ilegais confessados por Fidélis à Polícia Federal, no exercício do cargo de Secretário de Cidadania e Justiça. E destaca que Fidélis é um dos poucos secretários do governo Carlesse a permanecer no cargo.

Novamente é utilizada a estratégia de vazamento criminoso, de parte de um processo que corre sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), para difundir uma narrativa que visa denegrir a imagem do governador Mauro Carlesse e de ex-integrantes do governo legitimamente eleito pela população.

Os advogados de Claudinei Quaresemin tomarão as providencias cabíveis em relação à iniciativa de Fidélis, em decorrência das falsas acusações”.

Espaço aos Citados

A reportagem procurou a assessoria dos governadores interino, Wanderlei Barbosa e do afastado, Mauro Carlesse. Também fizemos contato com os deputados Ricardo Ayres e Olyntho Neto para que eles dessem suas versões sobre as falas de Fidelis. Até o fechamento e publicação da matéria não recebemos repostas, mas caso eles respondam a reportagem será atualizada com as versões dos citados.

A reportagem não conseguiu contato com o deputado federal Carlos Gaguim, mas caso ele queira falar, o espaço também segue aberto.

(Matéria atualizada às 14h41 com o posicionamento do secretário da Cidadania e Justiça, Heber Fidelis).

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