
Transportadores rodoviários e autônomos preveem interdição de rodovias e restrição da circulação de caminhões na paralisação nacional da categoria prevista para segunda-feira (1º), a fim de defenderem suas reivindicações, segundo representantes ouvidos pelo Estadão/Broadcast Agro. A adesão ao movimento, no entanto, ainda é incerta. As informações foram publicadas pelo Portal Terra.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirma que a paralisação dos caminhoneiros deve ocorrer em todos os Estados do País. Chorão não soube estimar quantos caminhoneiros estão dispostos a interromper as atividades a partir do dia 1º, mas diz que a adesão é “grande”. “Já temos apoio de centrais sindicais e devemos ter da população também. Todo mundo está sofrendo com os preços dos combustíveis”, afirmou. Chorão, que foi uma das principais lideranças da greve de 2018, garante que o movimento da próxima semana será semelhante ao de três anos atrás. “É o primeiro ato em que participamos desde lá e nos organizamos para isso.”
A Abrava está à frente do movimento junto com o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL). Será a primeira vez que estas entidades estão juntas desde 2018. A insatisfação crescente com as promessas não cumpridas pelo presidente Jair Bolsonaro se tornou unanimidade na categoria – base eleitoral do presidente – e motivou a unificação da pauta após uma série de cisões. Eles estão em estado de greve desde o dia 16.
Segundo algumas lideranças, as manifestações se acentuaram especialmente na região de portos como o de Santos (SP), o do Rio e do Itajaí. O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) vai aderir à greve. Presidente da entidade, Luciano Santos, estima que os cerca de 2 mil associados do sindicato irão participar do movimento. “Aqui, temos 100% de adesão”, disse Santos. O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Carga a Granel de Santos, Cubatão e Guarujá (Sindgran), que movimentam basicamente grãos e fertilizantes e reúne 1,15 mil motoristas associados, não emitiu posição oficial sobre a greve, mas irá respeitar o movimento.
Os representantes dos caminhoneiros não descartam uma eventual concessão à greve, caso o governo cumpra às demandas da categoria. “A categoria continua aberta ao diálogo até às 23h59 do dia 31, mas o governo precisa dar alguma resposta concreta. Presidente e ministros tem de tomar alguma posição”, disse Chorão. Ele não cita, contudo, a possibilidade de uma nova reunião com o Ministério da Infraestrutura, após um encontro marcado para ontem (28) ter sido cancelado. “Não vamos perder mais tempo conversando com o ministro Tarcísio, porque ele não resolve. Faz três anos que tem reunião e o ministro não faz entregas à categoria”, afirmou.



