Política

Carlesse diz “desconhecer” acusações que o afastaram do cargo de governador, afirma ser “inocente” e prevê retorno ao Palácio Araguaia

Por Dermival Pereira

Mauro Carlesse (PSL), governador afastado do Tocantins, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu se pronunciar em uma rede social na noite dessa sexta-feira, 22, pela primeira vez após deixar o Palácio Araguaia. Mesmo com toda a repercussão e detalhes divulgados sobre a operação da Polícia Federal, Carlesse disse em um vídeo de pouco mais de um minuto, que ainda não sabe do que está sendo acusado, falou em inocência e num possível retorno ao cargo. Veja a íntegra do que disse o político.

Disse o político, no vídeo, “aos meus amigos, que vocês têm visto ai nas redes sociais ultimamente. Toda esta confusão danada, o afastamento do governador. Eu só quero dizer a toda a sociedade, aos meus amigos que sempre confiaram em mim, pelo trabalho que nós realizamos e estamos realizando dentro do Estado do Tocantins, que eu estou só aguardando que venha a documentação para saber da acusação, no qual eu tive que me afastar temporariamente do governo”, iniciou.

Ele afirmou que, “só estou aguardando e assim eu poderei esclarecer aos senhores o motivo exato daquilo que estão me acusando. Porque neste momento ainda, os meus advogados não têm nenhum tipo de informação. A não ser as informações que estão ai nas redes sociais. Mas de qualquer maneira eu estou tranquilo. Quero agradecer a toda a comunidade que tem me apoiado, me ajudado, me mandado mensagens de carinho. E dizer que brevemente estaremos de volta, com fé em Deus”, prometeu.

Por fim, Carlesse afirmou ser inocente. “E provarei, sim, a nossa inocência, a minha inocência. E continuaremos trabalhando para que este Estado do Tocantins, ele cresça e se desenvolva cada vez mais. Um grande abraço no coração de todos vocês, obrigado”, finalizou o gestor.

Entenda

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) referendou na tarde de quarta-feira, 20, por unanimidade, a decisão do ministro Mauro Campbell, que afastou o governador do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL), por seis meses.

Também na quarta-feira, só que pela manhã, cerca de 280 policiais federais cumpriram 57 mandados de busca e apreensão e outras 50 medidas cautelares, como a suspensão do exercício das funções públicas (afastamento do Governador Mauro Carlesse e do secretário de Estado da Segurança Pública), expedidos pelo STJ, nas cidades de Palmas, Gurupi, Porto Nacional (TO), Minaçu, Goiânia (GO), Brasília (DF) e São Paulo (SP).

As investigações, iniciadas há quase dois anos, demonstram um complexo
aparelhamento da estrutura estatal voltado a permitir a continuidade de diversos esquemas criminosos comandados pelos principais investigados, que teriam movimentado dezenas de milhões de reais por meio dos crimes praticados. Até o momento, foi determinado o bloqueio judicial de R$ 40 milhões.

A operação Éris visa desarticular o braço da organização criminosa instalado na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Tocantins suspeito de obstruir as investigações, utilizando-se de instrumentalização normativa, aparelhamento pessoal e poder normativo e disciplinar contra os policiais envolvidos no combate à corrupção.

O grupo ainda é suspeito de vazar informações de investigações em andamento aos investigados. Já a operação Hygea tem o objetivo de desmantelar o esquema de pagamentos de vantagens indevidas relacionadas ao Plansaúde e a estrutura montada para a lavagem de dinheiro, assim como demonstrar a integralização dos recursos
públicos desviados ao patrimônio dos investigados.

Segundo as investigações, o governo estadual removeu indevidamente
delegados responsáveis por inquéritos de combate à corrupção conforme as
apurações avançavam e mencionavam expressamente membros da cúpula do Estado. Há ainda fortes evidências da produção coordenada de documentos falsos para manutenção dos interesses da organização criminosa.

Além da obtenção de novas provas, busca-se interromper a continuidade das ações criminosas, identificar e recuperar ativos frutos dos desvios, resguardar a aplicação da lei penal, a segurança de testemunhas e a retomada das Instituições Públicas.

O vice-governador Wanderlei Barbosa tomou posse no cargo horas depois do afastamento de Carlesse após ser intimado por agentes da Polícia Federal.

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