
Os eleitores do Tocantins não têm tido muito sucesso em escolher seus governantes. Desde 2006 nenhum dos eleitos conseguiu concluir o mandato. O último a entrar nessa lista foi Mauro Carlesse. No mês passado, o governador foi afastado por decisão do Superior Tribunal de Justiça, depois que a Polícia Federal descobriu que ele estava envolvido em múltiplas falcatruas. Carlesse foi apontado como chefe de uma quadrilha que desviou 44 milhões de reais dos cofres do estado. A revelação sobre a investigação da PF foi publicada nessa sexta-feira, 19, pelo site da Revista Veja.
Veja diz que em plena pandemia, os hospitais autorizados a atender o plano de saúde dos funcionários do estado eram instados a pagar propina. A negociação dos porcentuais era feita diretamente com o governador e o dinheiro arrecadado, usado, entre outros fins, para aumentar o já enorme patrimônio de sua família — nada que os tocantinenses já não tivessem testemunhado em administrações passadas. Dessa vez, porém, o nível das tramoias se superou.
Veja teve acesso à íntegra do inquérito que levou ao afastamento do governador por 180 dias. Além das evidências mais do que contundentes de corrupção, a PF apurou que Carlesse usava o aparato estatal para outros fins. No terreno político, investigava e perseguia adversários. Foram colhidos indícios de que o governador estava por trás de uma investigação ilegal que foi feita contra o deputado Vicentinho Júnior (PL-TO). O parlamentar teve os telefones interceptados clandestinamente e as informações colhidas foram parar em um dossiê apócrifo. Mas foi na seara pessoal que Carlesse surpreendeu, ao colocar a polícia no rastro de um caso de traição envolvendo a primeira-dama, Fernanda Carlesse, 35 anos.
A história começou em junho do ano passado, quando o promotor de eventos de rodeio Ernandes Araújo procurou os federais para pedir ajuda. Ele havia passado onze dias na cadeia, acusado de uso e tráfico de drogas. O rapaz, abatido e amedrontado, contou que tinha sido vítima de um flagrante forjado. Agentes sem mandado judicial e supostamente investigando uma denúncia anônima invadiram a casa dele e encontraram pacotes de cocaína escondidos. Ernandes foi algemado e preso em flagrante.

Dias antes da operação policial, o promoter tinha sido apontado como autor de um vídeo postado na internet que revelava um caso amoroso entre a primeira-dama e o vaqueiro Welisson Barbosa de Souza. O vídeo mostrava fotos íntimas de Fernanda e cópias de mensagens que ela trocou durante um bom tempo com o suposto amante através de um aplicativo. Na agenda de contatos da primeira-dama, Welisson era identificado como “Natália”. A PF, que já investigava o governador por outras denúncias, acrescentou mais essa ao rol — e, depois de meses de diligências, comprovou que o rapaz estava dizendo a verdade. Ele tinha mesmo sido vítima de uma baita armação.
Os federais recuperaram imagens de câmeras de segurança que mostravam um carro a serviço do Departamento de Inteligência da polícia do Tocantins parado nas proximidades da casa de Ernandes às vésperas do flagrante. Também colheram provas de que a casa do promoter foi invadida no mesmo dia, certamente para “plantar” a droga. E nenhuma das autoridades estaduais conseguiu explicar de onde partiu a tal denúncia anônima. A PF apontou o governador como o mentor da trama.
“Fiquei na prisão e estou pagando por isso até hoje, psicologicamente e também na minha vida profissional. Não consigo arrumar um emprego, já que na minha ficha consta esse flagrante forjado”, diz Ernandes a VEJA. Ele conta que, desde que seu nome apareceu envolvido no caso da traição, sua vida virou um inferno. Amigo de Welisson, o suposto amante, o promoter, por causa disso, logo foi apontado como autor do vídeo, o que ele nega. A retaliação não tardou, primeiro com ameaças de todo tipo e, depois, com o tal flagrante. Com medo de ser morto, o promoter tenta ingressar no programa de proteção a testemunhas. “Minha vida sofreu uma tremenda reviravolta”, ressalta ele, o único dos personagens que, aparentemente, teve de mudar radicalmente sua rotina. O vaqueiro, que confirmou ao amigo o caso com a primeira-dama, continua morando com a esposa em Gurupi, no interior do estado. Procurado, ele não quis se manifestar.

Mauro Carlesse, 61 anos, teve uma carreira meteórica. Antes de ingressar na política, presidiu o sindicato rural de Gurupi. Em 2014 elegeu-se deputado estadual e, quatro anos depois, quando ocupava a presidência da Assembleia Legislativa, o então governador Marcelo Miranda foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Carlesse assumiu interinamente o cargo. Em 2018 disputou o governo e foi eleito no primeiro turno. Afastado desde o dia 20 de outubro, ele e Fernanda continuam morando em Gurupi, em casas separadas. Mas o pior da turbulência teoricamente já passou.
Na Assembleia há um pedido de impeachment e um requerimento para a criação de uma CPI. Mas nada que preocupe. Carlesse tem o apoio de 22 dos 24 deputados estaduais. Tranquilo, ele tem despachado com assessores na sede do seu partido, o PSL, enquanto se prepara para reassumir o cargo em abril. O único inconveniente é que desta vez, ao que tudo indica, sem a companhia da primeira-dama.




Bom dia, Bela reportagem do CP NOTÍCIAS, só vem transparecer o que todos já sabiam, além de corrupto e corruptor, também é “C”, um verdadeiro poderoso chefão, Alvorada capone tupiniquim. Que se meter tá enrolado. Mas com a PF não tem brincadeira, esse CB, tem q ir pro xadrez.