Política

Secretário Heber Fidelis diz que avisou Wanderlei sobre ameaças de Carlesse relatadas por Carlos Gaguim

Por Dermival Pereira

O secretário Heber Fidelis, da Cidadania e Justiça do Tocantins, disse no início da tarde desta sexta-feira, 17, durante contato com a reportagem do CP Notícias que logo após sua conversa com o deputado federal Carlos Gaguim (DEM), na qual o parlamentar teria pedido para que o novo governo (Wanderlei Barbosa) não insistisse em abrir novas investigações em desfavor de Mauro Carlesse, que avisou o governador interino Wanderlei Barbosa (sem partido), sobre o teor da conversa com Gaguim.  

A declaração sobre a fala de Gaguim consta no depoimento do secretário a Polícia Federal (PF), no âmbito das investigações que apuram suposto pagamento de propina a membros do alto escalão do governo do Tocantins e que resultou no afastamento do governador Mauro Carlesse (PSL), de secretários de Estado e de praticamente toda a cúpula da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Segundo Fidelis, imediatamente, após ter sido avisado, Warderlei teria feito contato com o deputado e os dois tiveram uma intensa discussão por causa das acusações relatadas por Gaguim. “O governador Wanderlei disse ao Gaguim que não tinha medo das ameaças de Mauro Carlesse e que seguiria investigando as supostas irregularidades no governo”, pontuou o secretário. As duas conversas ocorreram, segundo Fidelis, antes de seu depoimento a PF ocorrido no dia 23 do mês passado.  

Em um trecho do depoimento, o secretário diz que Gaguim afirmou a ele, na ocasião da conversa, que o governador afastado teria provas de que Wanderley teria recebido propinas relativos ao contrato de aquisição de cestas básicas da Secretaria de Assistência Social do Estado. O secretário fez várias revelações no depoimento prestado à Polícia Federal.

Ele também alega ter sofrido pressão para deixar o cargo após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que afastou Carlesse, cita ameaças a sua esposa, influência de deputados na suposta perseguição a delegados da Polícia Civil com o objetivo de barrar investigações contra aliados políticos do governador.

Ameaças a esposa

Fidelis disse ainda, no depoimento, que um bilhete anônimo contendo ameaças fora deixado na mesa de trabalho da sua esposa, Andreia Braga, na sede do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO). Conforme consta na declaração do secretário, no bilhete estava escrito: “Torçam para o governo anterior não retornar, pois nunca mais irão trabalhar no Estado”.

Citados

Ainda pela manhã a reportagem procurou as assessorias dos governadores interino, Wanderlei Barbosa, e afastado, Mauro Carlesse, para que eles pudessem apresentar suas versões sobre os fatos, mas não obtivemos resposta. A reportagem não conseguiu contato com o deputado federal Carlos Gaguim, mas caso ele queira falar, o espaço também segue aberto.

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