
Por Brasil de Fato
o médico infectologista Eder Gatti esclarece que a primeira dose não garante proteção imediata contra o vírus. Quando uma pessoa toma a vacina, seu corpo é exposto aos antígenos, substâncias que desencadeiam a produção dos anticorpos, em um processo que pode levar de duas a três semanas.
A segunda dose, aplicada 14 dias depois, em média, consolida a defesa e estimula ainda mais a proteção de anticorpos específicos, consolidando a memória imunológica.
“A pessoa só é considerada vacinada plenamente quando recebe a segunda dose, considerando as duas vacinas usadas no Brasil [CoronaVac e AstraZeneca]. Neste meio tempo, entre a primeira e a segunda dose, muita coisa pode acontecer. Uma pessoa pode, eventualmente, ser vacinada enquanto já está infectada em período de incubação e ainda não manifestou a doença. Nesse caso, a vacina não faz diferença. Temos caso de pessoas que estão vacinadas e poucos dias depois manifestam a doença, porque foi vacinada sem saber que estava infectada”, explica o infectologista.
Medidas de proteção devem ser mantidas após vacina
Há também casos como o de Priscila, em que logo após a vacinação com a primeira dose, a pessoa é exposta ao vírus, mas seu organismo ainda não produziu as defesas necessárias, e a doença evolui com sintomas leves.
“Os estudos de eficácia das vacinas mostraram que nenhuma delas é 100% eficaz para evitar a infecção. A pessoa vacinada, mesmo com duas doses, eventualmente pode se infectar. O risco é menor do que se não fosse vacinada, mas mesmo assim existe”, diz Gatti.
“Por isso mesmo, depois de semanas após a segunda dose, as pessoas devem continuar com as medidas de proteção, porque pode se infectar e infectar outras pessoas”, ressalta o também presidente da associação de médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Gatti rejeita a hipótese de que a própria vacina poderia desencadear uma contaminação por coronavírus. Isso porque tanto a CoronaVac quanto a Covishield, produzida pela Astrazeneca/Fiocruz, não têm vírus vivo ou adenovírus com capacidade de se replicar no organismo humano.
Como frear a proliferação do vírus?
O fato de mesmo as pessoas vacinadas ainda terem a possibilidade de se infectar e transmitir a covid-19 evidencia que, mesmo com a chegada dos imunizantes, os protocolos sanitários devem continuar sendo seguidos à risca por todos, sem exceção.
“Apesar da vacinação, não podemos fraquejar, não podemos abrir mão das medidas de proteção e contra a exposição ao vírus. Temos que manter o uso de máscara, higienização das mãos. Evitar ambientes aglomerados e mal ventilados. A vacinação não é garantia de proteção absoluta”, reitera o infectologista.
Uso de máscara mesmo após vacina
De quarentena em razão da infecção, Priscila Oliveira não abre mão da máscara e das medidas de prevenção mesmo dentro de casa, para tentar evitar ao máximo a infecção de seu marido.
“É muito importante que a população seja informada. Acho que as pessoas ainda não estão entendendo que a imunização não é 100%, que é possível pegar o vírus e os sintomas serem tão amenos que as pessoas podem contaminar os outros sem saber que estão com o vírus”, lamenta.
Eficácia garantida
Ainda que as vacinas impeçam a contaminação pelo vírus propriamente dita, não significa que a eficácia das substâncias é questionável. Muito pelo contrário.
Dados de estudos clínicos do Instituto Butantan sobre a CoronaVac, por exemplo, mostraram que a prevenção para casos leves de covid-19, com sintomas, mas sem necessidade de internação, é de 78%.
Já a taxa de eficácia geral mostrou uma proteção de 50%, o que significa que as pessoas vacinadas, com as duas doses, tem 50% menos risco de adoecer. E, caso ainda sejam contaminadas, a taxa de eficácia para impedir as formas graves é de 100%
“A pessoa [contaminada] tem risco menor de ser hospitalizada, de precisar de oxigênio, de eventualmente ser intubada e, o mais importante, tem o risco menor de morrer”, frisa Eder Gatti em referência às informações preliminares.



