Por Dermival Pereira
Com a pandemia mundial do coronavírus, governos e órgãos de controles tomaram uma série de medidas para evitar a proliferação da doença no País, mas ignoram as aglomerações em cultos e missas, que seguem sem nenhuma recomendação. No Tocantins, praticamente todos os órgãos mudaram suas rotinas, reduziram atendimentos, restringiram a presença do público e cancelaram eventos. Aulas também estão suspensas nas escolas e nas universidades públicas e privadas. Os servidores públicos do Estado tiveram a jornada de trabalho reduzida de 8h para 6h.

No entanto, com exceção de algumas denominações, a maioria das igrejas, sem nenhuma restrição imposta pelo poder público, decidiram ignorar o problema, com missas e cultos acontecendo normalmente. A reportagem consultou a Defensoria Pública Estadual (DPE-TO), o Ministério Público Estadual (MPTO), o Governo do Estado e a prefeitura de Palmas para saber se havia alguma recomendação sobre o assunto, mas todos informaram que nenhuma orientação foi dada à classe religiosa no Estado e na Capital, no sentido de evitar ou reduzir aglomerações de pessoas nos templos.
Decisões individuais
Sem recomendações, cada líder religioso fica livre para tomar suas decisões sobre a realização de eventos, cultos e missas nas igrejas. O Arcebispo da Arquidiocese de Palmas, Dom Pedro Brito Guimarães, emitiu na manhã nessa terça-feira, 17, orientações para as paróquias e fiéis neste período de pandemia. O arcebispo determinou que as igrejas tomassem providências como higienização dos espaços litúrgicos, dispensa dos grupos de riscos do preceito da missa dominical e suspensão de alguns ritos durante a comunhão.
Já a Organização dos Ministros Evangélicos de Palmas (OMEP), orientou a todas as igrejas evangélicas a tomarem medias de precauções como colocar álcool em gel a disposição dos fieis e evitar contatos e orações de mãos dadas. E em caso de confirmação da doença na Capital, a OMEP orienta aos pastores a cancelarem os cultos. O primeiro caso foi confirmado na manhã desta quarta-feira, 18, pela prefeita Cintha Ribeiro, em publicação feita via rede social.
Evangélicos por capitais
A reportagem tentou junto a Organização dos Ministros Evangélicos de Palmas (OMEP), informações sobre o número de templos e fies, em Palmas, e um membro da entidade ficou de levantar os dados, o que não aconteceu até o fechamento da reportagem. Dados do IBGE lançados ainda em 2010, mostram que os evangélicos eram 22% da população brasileira, mais de 42 milhões de pessoas.
A mesma pesquisa mostrou, também, dados sobre a distribuição da população evangélica nas capitais do País, apontando quais são as mais (e menos) evangélicas do Brasil. Os números apontam que, São Paulo é a capital com mais evangélicos, com 2,3 milhões. No entanto, se considerada a porcentagem da população, a capital paulista fica apenas em 20º lugar, com 21,88% de evangélicos professos.
A capital com maior percentual de evangélicos é Rio Branco, no Acre, com 39,54% de evangélicos, seguida de Manaus (35,19%), Palmas (32,77%) e Porto Velho (32,16%). A capital “menos evangélica” do Brasil é Porto Alegre, com apenas 11,65% de evangélicos.



