Cidades

Por mandar matar prefeito, vice fica proibido de morar da cidade

Por Dermival Pereira

A juíza da Comarca de Novo Acordo, Aline Iglesias, negou pedido do vice-prefeito, Leto Moura Leitão Filho, (o Letim Leitão), do PRB, daquele município, em que solicita autorização para voltar a residir na cidade. Letim cumpre medida judicial em regime domiciliar, por ser acusado de mandar matar o prefeito da cidade, Elson Lino de Aguiar, o Dotozim, do MDB, em janeiro do ano passado. O pedido de Letim recebeu parecer favorável do Ministério Público, mas a Justição não acatou.

Desde que saiu da prisão em regime fechado, Letim vive em Palmas, e por último, tentou a liberação da Justiça para voltar a morar em Novo Acordo de onde é natural e possui residência. O vice-prefeito nega todas as acusações.

Denunciado como mandante da tentativa de morte do prefeito, Letim fez o pedido alegando que em Palmas, onde cumpre medidas cautelares o custo de vida é elevado e tem sido impossível sem salário, manter a si, aos quatro filhos e a esposa apenas com ajuda de terceiros.

Da decisão, a magistrada entendeu que não houve modificação na situação do réu que autorizasse a mudança de Palmas, como decidiu ao autorizar a saída da prisão, com uso de tornozeleiras. Ela também lembra que continuam havendo manifestações populares sobre a tentativa de homicídio.

Outros pedidos

A juíza observa que Letim, “tenta, pedido após pedido, se livrar de cada uma das medidas cautelares que lhe foram impostas”. Na mais recente, ao pedir autorização para ir a Goiânia para consulta no olho diagnosticado com descolamento da retina, quis que a juíza autorizasse a retirada da tornozeleira antes da viagem, alegando que numa cirurgia não se pode usar nem anéis ou alianças e deveria viajar sem o equipamento.

A magistrada autorizou o tratamento médico em Goiás por 15 dias (desde o dia 4 de março), mas negou a retirada tornozeleira antes da cirurgia. “Somente será retirada, se e quando for necessário para realização de cirurgia, quando a mesma esteja efetivamente designada, com laudo médico indicando a necessidade de retirada”, pontua na decisão.

Entenda

Segundo a Polícia Civil, responsável por investigar o caso, o vice-prefeito teria encomendado o crime, o empresário Paulo Henrique Souza Costa e Kelly Fernanda Carvalho da Silva, mediado a ação e Gustavo Araújo da Silva teria efetuado os disparos que atingiram o prefeito no dia 9 de janeiro do anos passado. Todos foram presos no dia seguinte ao atentado e já foram indiciados por homicídio doloso na forma tentada.

No entanto, outra decisão proferida no dia 23 de setembro, a Justiça revogou a prisão preventiva de Letim, de Kelly e do empresário, que ganharam a liberdade provisório até o julgamento do mérito da ação. O atirador, no entanto, continua preso preventivamente.

O crime ocorreu na residência da vítima, localizada no Centro da cidade de Novo Acordo, a 110 km de Palmas. Na data dos fatos, por volta das 15 horas, o executor chegou à residência de Dotozim, passando-se por um conhecido e aproveitou que uma das portas da casa estava aberta para adentrar ao imóvel, dirigir-se até o interior da casa do gestor e efetuar três disparos de arma de fogo, a queima-roupa. Um dos disparos atingiu o rosto do gestor que perdeu a visão de um dos olhos.

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