Por Dermival Pereira
Moradores de Lagoa do Tocantins, que residem na parte alta da cidade, contestaram nota do Governo do Tocantins, em que a gestão afirma que o problema da falta de água nessa parte da cidade é pontual e já “teria” sido resolvido. A reportagem mostrou a situação dos moradores na sexta-feira, 11, e em nota, no sábado, 12, a ATS disse que “o problema de desabastecimento na parte alta do município de Lagoa do Tocantins é pontual e que apenas um registro de reclamação de falta de água foi contabilizado”.
A reportagem cobrou provas dos moradores sobre a falta de água e eles as apresentaram. Um vídeo encaminhado ao CP Notícias, feito por uma moradora, logo após a ATS se posicionar, mostra as torneiras abertas e sem água. Veja o vídeo.
A artesã Maria Raimunda Pereira Alves, de 62 anos, informou ao site nesta segunda-feira, 14, que o problema continua e já se tornou rotineiro todos os anos. “Não é pontual, todos os anos é assim, porém, este ano a situação está ainda pior, a água só vem à noite e em quantidade insuficiente para encher as caixas, falta água para tomar banho, lavar roupa, ou melhor, para quase tudo. Quando a gente questiona, eles (a ATS), dizem que a bomba é fraca e que o nível do poço está baixo, mas nunca resolvem”, afirma a moradora.
A idosa também reclama sobre o descaso da ATS com a população. “É muito difícil lhe dar com toda essa situação, sou asmática e nesse tempo de calor eu precisaria tomar banho ao menos três vezes por dia, mas tenho que banhar no balde e somente uma vez”, reclama a moradora, ressaltando que “nunca tivemos resposta da ATS quanto a solução desse problema se agrava a cada ano”.
Outro morador, o Pastor Joaquim Manoel Vaz, relatou situação parecida com a de dona Maria Raimunda. “A falta de água aqui é uma calamidade, só chega a noite e depois das 22 horas, todos os dias eu levanto entre 4h e 5h para encher as vasilhas porque durante o dia mesmo, nunca tem água”, afirma o pastor.
Após muitas reclamações feita à ATS sobre a situação, dona Creusivânia, também moradora da parte alta do município, resolveu levar o caso ao Ministério Público. “Ninguém aguenta mais conviver com esse descaso, na última sexta-feira, liguei na ouvidoria do Ministério Público para que uma providência seja tomada”. “Precisamos de socorro, pois todos os anos é assim, não tem como viver sem água”, pontua.
No ano passado o CP Notícias mostrou o drama dos moradores diversas vezes, ocasião em que a Promotoria de Justiça de Novo Acordo, expediu recomendação para que o serviço fosse normalizado, mas agora, o problema volta a se repetir.
O que diz a ATS
Em nota, a Agência Tocantinense de Saneamento (ATS) esclareceu “que o problema de desabastecimento na parte alta do município de Lagoa do Tocantins é pontual e que apenas um registro de reclamação de falta de água foi contabilizado por meio dos canais de atendimento ao cliente durante a última semana“.
A ATS informou, na nota, “que a equipe de manutenção está em contato com o reclamante para realizar uma vistoria no imóvel para identificar e resolver o problema”.
A ATS informou ainda que “as equipes de manutenção estão realizando uma vistoria no sistema de abastecimento de água da parte alta do município para identificar possíveis problemas de desabastecimento”.
A ATS reforçou, no documento, que “o fornecimento de água para os moradores da cidade está acontecendo de maneira normal e orienta aos consumidores que qualquer problema relacionado à falta de água deve ser comunicado pelos canais de atendimento ao cliente por meio do Ligue Água 0800 6464 195, pelo WhatsApp (63) 99202 6005 ou pela Agência Virtual no endereço eletrônico www.agenciavirtual.ats.to.gov.br”.
Novo contato
Após o vídeo, a reportagem informou a ATS sobre a continuação do problema, mas nenhum retorno foi sobre quando o problema será de fato resolvido. O espaço segue aberto, caso a gestão queira se manifestar novamente.
O que diz MPTO
Considerando o não atendimento da recomendação expedida à Prefeitura Municipal de Lagoa do Tocantins para regularização dos serviços de fornecimento de água no município, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) informa que vai ajuizar ação civil pública pedindo na Justiça providências para o saneamento do problema que aflige os moradores da cidade. (Matéria atualizada às 13h13 com o posicionamento do MPTO).



