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Opinião: Ta ruim! Vai pra casa, volte quando estiver péssimo ou perto de morrer

Por Dermival Pereira

Dermival Pereira é Jornalista e editor do Portal CP Notícias

“Seu quadro clínico é estável, fique em casa, se piorar, volte”, disse o médico ao paciente. Aquele era o terceiro atendimento prestado por médicos da UPA Sul de Palmas a um membro da minha família que aqui terá seu nome preservado, a essa altura, seus exames já indicavam uma lesão no fígado e um comprometimento entre 25% e 40% dos pulmões. Nesse intervalo, ele contaminou as duas filhas.

Com muita febre, uma tosse constante, falta de ar e dor no peito, os médicos insistiam em não testá-lo e que ele ficasse em casa, porque segundo eles, esse é o protocolo para admissão de pacientes com suspeita de covid. No quarto atendimento, após muita insistência, o paciente foi, em fim, admitido e regulado. Ali começava nossa mais intensa luta pela vida. É que simplesmente não tinha leito.

Ao contrário do que havia divulgado a Prefeitura de Palmas no dia 03/09, via Secom, que apenas 54% dos leitos destinados a pacientes com convid estavam ocupados, essa versão mudou de uma hora para outra. Agora, não só faltavam leitos como havia oito pacientes na fila esperando pelo mesmo atendimento. Ficamos sem chão e  o desespero bateu a porta. Sabíamos dos riscos e do que poderia acontecer.

Em meio à negativa do leito, fui checar onde estavam os outros 46% disponíveis no Boletim Epidemiológico divulgado pela prefeitura. Eles estavam de fato vagos, em três hospitais particulares da Capital e reservados ao poder público, mas ao que tudo indica, havia uma ordem para que os pacientes aguardassem até que uma vaga surgisse no HGP ou no hospital de campanha montado pelo Governo do Tocantins.

Eu não dormir naquela noite e no dia seguinte, fui a UPA onde solicitei todo o prontuário do paciente e informei à administração que dali eu iria a uma delegacia registrar uma notícia crime e denunciar o caso ao Ministério Público. Minutos depois o leito apareceu, ao que parece de improviso, no HGP mesmo, sem ar condicionado e sem ventilador, mas ali o paciente foi tratado, recebeu alta e passa bem.

Saímos vitoriosos dessa, e creditamos a DEUS, o milagre em abrir todas as portas que precisamos, até mesmo as mais difíceis, quando o homem insistia em nos deixar de fora, mas fiquei triste por outras famílias, em especial, aquelas que não sabem exigir o prontuário, ir a delegacia ou acionar o Ministério Público. Buscar seus direitos.

Sigo pessimista com essa política do “está tudo bem a qualquer preço”, do fica em casa, volte quando estiver péssimo ou perto de morrer. Isso não deveria ser chamado de protocolo, mas, de homicídio doloso. Pois, em virtude dessa omissão, quando o leito aparece, muitos não conseguem reagir e morrem. E lá se foram milhares.

Não direi, neste texto, que a humanidade chegou ao seu limite, porque ela sempre pode mais.  Mas, confesso que estou surpreso, ao lhe dar com a divergência dos dados sobre a taxa de ocupação dos leitos em Palmas e a realidade encarada pelos pacientes vítimas da covid-19.



Resposta de 0

  1. Exatamente, também enfrentamos situação semelhante com meu esposo, o descaso está assustador, e governantes na mídia dizendo que está tudo sobre controle.

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