
Por Cleiton Pinheiro, presidente da AJUSP-TO e pioneiro na defesa dos direitos dos servidores públicos tocantinenses
Começou o mês de setembro e daqui a poucos dias, acontecerá o primeiro turno das eleições gerais, no Brasil. Em 2026, os brasileiros e brasileiras vão eleger um Presidente, 27 Governadores estaduais, 513 Deputados federais, 54 das 81 vagas para senadores, 1.035 deputados estaduais e 24 vagas para deputado distrital. Como líder classista e defensor das reivindicações dos servidores públicos há mais de 20 anos, reforço que votar não é apenas um direito cívico; é também uma ferramenta direta de transformação e valorização da nossa categoria. É salutar, portanto, que nós, servidores públicos – a espinha dorsal de qualquer Estado – estejamos atentos e prontos a discutir o voto consciente.
Nas eleições que se avizinham, é indispensável ir além do discurso genérico. Precisamos analisar criticamente o histórico, as bandeiras de luta e as propostas de cada candidato, especialmente daqueles que poderão ocupar os cargos do Executivo e Legislativo. Digo especialmente esses porque eles estarão mais próximos em nosso dia a dia, enquanto servidores públicos estaduais. São eles que precisarão dialogar e abrir mesas de negociação com os líderes classistas quando for preciso votar as pautas que defendemos em âmbitos como a jornada de trabalho, data-base, progressões, entre outros. Busque refletir sobre como será a composição da Assembleia Legislativa, pois é o Deputado Estadual quem aprova leis, reajustes, orçamentos e eventuais reformas administrativas. Não contribua para o desmonte daquilo que já foi conquistado.
Ao avaliar as últimas décadas, posso afirmar que muitas coisas mudaram em nosso país e em nossos Estados. Houve avanços, mas também retrocessos. No Tocantins, não há como não mencionar o reajuste de 25% e o pagamento do índice da data-base. Sobre o reajuste de 25%, cabe lembrar que, em 08 de fevereiro de 2023, a ADI 4013 transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), e reconheceu como legítimo o direito dos servidores públicos do Quadro Geral e dos Profissionais da Saúde aos 25%. Ocorre que, até o presente momento, o Governo do Tocantins não cumpriu a decisão do STF e não implementou o direito aos 25% no contracheque do servidor público. Quanto à data-base, é importante destacar que há muito tempo, o servidor efetivo não tem a correção das perdas inflacionárias devidamente realizada em seu contracheque, pois, a aplicação do índice não tem sido feito de forma integral, ou seja, considerando todo o percentual acumulado no período. São tantas as situações, que não dá para o servidor votar desprovido de ampla reflexão.
É preciso estar atento. Votar de forma consciente em 2026 é assegurar que o serviço público continue cumprindo o seu papel junto à sociedade. Você precisará identificar AGORA os candidatos que enxergam o servidor público como investimento para a sociedade e os que tratam a nossa categoria apenas como um custo a ser cortado do Orçamento. Examine, converse, informe-se. Não se deixe guiar por paixões políticas e exerça seu direito de votar de forma lúcida. Nós, servidores públicos efetivos, caso não compreendamos a força do nosso voto, teremos grandes problemas pela frente. Quando estiver diante da urna eletrônica, pense também em sua categoria. Vote pela valorização e contra todo o desmonte e retrocesso.



