Dermatologista orienta famílias sobre transmissão, sintomas e tratamento seguro da infestação, mais frequente entre crianças
Coceira persistente na cabeça, principalmente na nuca e atrás das orelhas, pode ser sinal de infestação por piolhos. Comum entre crianças, a pediculose ainda é cercada por mitos, como a ideia de que está relacionada à falta de higiene. Na tentativa de eliminar os parasitas, algumas pessoas recorrem a álcool, vinagre, maionese e outros produtos caseiros, que podem irritar o couro cabeludo e agravar feridas.

A médica e docente do curso de pós-graduação em dermatologista da Afya Educação Médica Palmas, Luanna Barreira, explica que a transmissão acontece principalmente pelo contato direto. Por ficarem próximas durante brincadeiras e atividades escolares, as crianças estão mais sujeitas ao contágio.
“O compartilhamento de pentes, escovas, bonés e acessórios de cabelo também pode contribuir para a transmissão. É importante esclarecer que ter piolho não significa falta de higiene. A infestação pode atingir qualquer pessoa, independentemente da frequência com que lava o cabelo”, afirma.
Coceira chamou a atenção da família
A jornalista Ana Cássia Costa percebeu que a filha Laura Costa, de 9 anos, estava com piolhos ao notar que ela coçava a cabeça com muita frequência. Ao examinar os cabelos, encontrou lêndeas e confirmou a presença dos parasitas.
“A Laura tem o cabelo cacheado, lava bastante e usa creme. No início, achei que a coceira pudesse estar relacionada aos cuidados com o cabelo, mas, quando fui olhar, encontrei as lêndeas e depois os piolhos. O principal sinal foi o incômodo, porque ela não parava de coçar”, relata.
Ana Cássia procurou orientação em uma farmácia e utilizou um produto específico, associado ao pente fino. Mesmo depois de controlar a primeira infestação, percebeu que o problema voltava após alguns meses.
“Passei a ficar sempre atenta aos sintomas. Quando percebo que ela está coçando, verifico o cabelo, faço o tratamento e passo bastante pente fino. Também comecei a mandá-la para a escola com o cabelo preso”, conta.
O irmão de Laura, Kael Costa, de 7 anos, também foi afetado. Para facilitar os cuidados, a família chegou a cortar bem curto o cabelo do menino.
“É um cuidado constante. Nunca recorri a receitas caseiras. Sempre usei produto específico, pente fino e monitoramento. Quando um dos dois apresenta sinais, examino o outro também”, explica Ana Cássia.
Como diferenciar lêndea de caspa
Além da coceira, podem surgir pequenas escoriações ou feridas provocadas pelo ato de coçar. Segundo a dermatologista, as lêndeas são os ovos do piolho e ficam firmemente aderidas aos fios, geralmente próximas ao couro cabeludo. A caspa apresenta aspecto semelhante a pequenos flocos e costuma se desprender com facilidade.
“A melhor confirmação é encontrar o piolho vivo. O pente fino ajuda nessa busca e também na remoção mecânica dos piolhos e das lêndeas”, orienta Luanna.
O cabelo deve ser separado em pequenas mechas, e o pente fino passado cuidadosamente desde a raiz até as pontas, de forma sistemática e delicada.
Por que o piolho pode voltar?
O reaparecimento nem sempre significa que o tratamento não funcionou. A criança pode ter sido novamente exposta a alguém com infestação ativa, o produto pode não ter sido usado corretamente ou a aplicação pode não ter sido repetida no período indicado. Também existe a possibilidade de resistência do parasita a determinados medicamentos.
Além de tratar a pessoa afetada, é importante examinar aqueles que convivem mais de perto com ela. Pentes, escovas e acessórios usados recentemente devem ser higienizados. Roupas de cama, toalhas e peças que tiveram contato com a cabeça também precisam ser lavadas.
Receitas caseiras oferecem riscos
O vinagre não deve ser considerado um tratamento contra piolhos. Embora possa facilitar a retirada das lêndeas aderidas aos fios, não há evidências suficientes de que seja eficaz para eliminar a infestação. Álcool e outras substâncias não desenvolvidas para aplicação no couro cabeludo também devem ser evitados, pois podem provocar irritações, dermatites e agravar lesões.
“Na prática médica, atendemos pacientes que utilizaram álcool, vinagre, maionese e outras receitas na tentativa de resolver o problema mais rapidamente. Nas crianças, o cuidado precisa ser ainda maior, porque a pele é mais sensível e nem todo produto pode ser utilizado em todas as idades”, alerta a professora.
O tratamento deve considerar a idade e as características de cada paciente. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças ou lesões no couro cabeludo devem procurar orientação médica antes de utilizar medicamentos.
A avaliação dermatológica também é indicada quando a infestação persiste após o tratamento, quando surgem feridas, secreções ou sinais de infecção e sempre que houver dúvidas sobre qual produto pode ser utilizado com segurança.



