Da Redação do Portal CP
A Casa 8 de Março, a mais antiga organização feminista do
Tocantins, realizou sua assembleia geral na quarta-feira, 20, para eleger sua
nova diretoria para os próximo dois anos. A meta agora é dar continuidade e
novo fôlego ao enfrentamento dos desafios relacionados aos direitos das
mulheres. A organização não-governamental (ONG) está ativa há 21 anos.

Para o cargo de presidente foi eleita Mônica Bandeira e, para o de vice, Márcia da Silva Gomes. A enfermeira Mônica faz parte de um grupo de apoio a ações desenvolvidas pela entidade. Já a estudante e vendedora Márcia foi acolhida na Casa 8 de Março no passado e têm uma história antiga de conexão com o centro feminista que tem sede na Vila União (305 Norte), no Plano Diretor Norte da capital Palmas.
“Eu vim para a Casa 8 de Março numa situação de violência. Eu era tão retraída que a minha expressão era assim, (olhando fixamente para baixo), com a cabeça numa posição de bloqueio”, conta Márcia, a nova vice-presidente da organização. “E esse apoio da luta e do enfrentamento da violência contra a mulher me ajudou tanto que eu estou assumindo liderança também. Agora vamos ajudar mais pessoas”.
Bernadete afasta rumores de que a Casa 8 de Março poderia estar encerrando as suas atividades. Ela explica que, de fato, o funcionamento do abrigo mantido pela entidade foi suspenso no final do ano passado em função dos custos relativamente altos e da falta de estrutura suficiente. “Fizemos o recesso, mas houve manifestação de vários movimentos e organizações. E essa manifestação deu esperança e abriu a possibilidade para que pudéssemos conversar e talvez buscar algum apoio. Quando nós reabrimos em janeiro, fizemos uma primeira assembleia e a gente decidiu manter a Casa aberta, com outros projetos. Atuamos com mulheres na área da saúde e da violência, cursos de formação etc., mas o abrigo realmente mantivemos fechado”.
Mesmo sem poder acolher mulheres vítimas de violência, a Casa 8 de Março segue com seus trabalhos também nas articulações das pautas feministas, com as mulheres em situação de prostituição, e também no atendimento mais pontual e nos encaminhamentos das mulheres em situação de violência.
“O desafio é tocar uma agenda de
empoderamento e emancipação das mulheres mais forte. Representar e fazer o
controle social muito bem feito – temos novas representantes para os conselhos
de direitos – e realizar todo trabalho de formação com a nossa nova equipe de
direção e com as mulheres mais excluídas da sociedade: trabalhadores
domésticas, mulheres em situação de prostituição, no uso de drogas,
ex-encarceradas”, complementa Bernadete.
Durante a Vigília de 1 ano do assassinato da vereadora Marielle Franco, como
parte de atos em todo o país realizados no último dia 14 de março, as pessoas
presentes, ligadas à Casa, se comprometeram a reforçar as grandes lutas que
estão colocadas ao movimento. Na lista, de acordo com Bernadete, estão as
mobilizações contra a Reforma da Previdência Social, a continuidade da cobrança
para saber ‘Quem Mandou Matar Marielle?’, o enfrentamento das violências contra
as mulheres e dos feminicídios e o trabalho para que as políticas sociais com
recorte de gênero e sexo não sejam sublimadas, com batalhas para que esse
desmonte do Estado e de seus suportes públicos “não se efetive por mais tempo”.
(Da assessoria).



