Estado

Professor reage com indignação à norma da Seduc que proíbe reprovar alunos que não atingirem média para passar de ano

Por Dermival Pereira

Um Ofício/Memorando expedido pela Diretoria Regional de Educação da SEDUC, em Palmas, prevendo orientações pedagógicas para o 1º semestre de 2022, nas escolas públicas estaduais ligadas a essa regional causou indignação de docentes. O documento datado de 29 de abril e assinado pela titular do órgão, Maristélia Alves Santos, estabelece que os alunos não sejam reprovados, mesmo que não atinjam a média em suas notas. É Isso mesmo, o aluno não poderá mais ser reprovado pelo professor.

Antes da nova Circular, para passar de ano, um estudante era avaliado, concebendo notas entre 7,0 e 10,0, obtidos a partir de instrumentos de avaliação e processos internos adotados pela equipe de professores. Agora, essas notas podem ser somadas aos externos, como avaliação do Caed e do Saeto. Na prática, elas deixam de ser o critério fundamental para aprovação de alunos.

Conforme a proposta pedagógica, feita para atender o Programa de Recomposição das Aprendizagens – Recomeçar, a avaliação deverá ocorrer com foco na aprendizagem por meio da avaliação formativa do estudante, em detrimento da avaliação somativa, ou seja, as notas. O documento cita que as orientações da equipe de Currículo/Seduc, os esforços da equipe docente escolar devem estar concentrados em superar os prejuízos na aprendizagem e mitigar as lacunas trazidas pela pandemia.

A SEDUC afirma, no documento, que ‘nos dois bimestres de desenvolvimento do Programa de Recomposição das Aprendizagens, é importante que os estudantes tenham a oportunidade de superar lacunas em seus conhecimentos e recompor suas aprendizagens.  O processo de recomposição não prevê reprovação, uma vez que o trabalho pedagógico/educativo é desenvolvido com vistas à superação das deficiências na aprendizagem, ocorridas no período de pandemia’.

Na avaliação da SEDUC, ‘o principal objetivo da Proposta Pedagógica – Recomeçar é recompor a aprendizagem, seguindo em identificar lacunas; promover as aprendizagens, com previsão de que no terceiro e quarto bimestre as atividades seguirão o curso normal e o processo avaliativo voltará a ser seguido conforme o que estabelece o PPP das Unidades Escolares’.

Professor avalia com desrespeito

Mas, há quem discorde dessa medida. É o caso de um professor de uma escola pública estadual que por medo de represálias, pediu para não ter o nome revelado. De acordo com o docente, ‘nós professores ficamos preocupados, pois tememos que essa prática possa virar rotina. Depois, esse tipo de atitude pode deteriorar todo o processo educacional envolvendo, professores, coordenadores, diretores e equipe administrativa uma vez que a mudança de um aluno para um nível mais elevado de graduação requer análise de competências, habilidades e inteligências que são muito importantes para a formação cidadã, a habilitação aos estudos, bem como ao futuro de um país’, reagiu o professor.

O docente diz ainda que ‘essa prática da ordem para aprovação é um total desrespeito a todos os profissionais envolvidos no processo, assim como com as famílias, os alunos e a sociedade porque prima por indicadores quantitativos e não qualitativos. Soma-se a essa erosão o desrespeito e exposição do professor ao descaso diante dos alunos, uma vez percebido pelos mesmos essa retirada de autonomia dos mestres nos processos de avaliação e conduta em sala de aula’, critica.

Espaço aberto

A reportagem foi encaminhada a Secom do Governo, via e-mail, para que a gestão se posicione sobre o assunto. O espaço segue aberto e caso a SEDUC responda, atualizaremos a matéria com a resposta.

Respostas de 5

  1. Realmente como professora concordo com o professor. Óbvio que a preocupação ai não é com a qualidade e sim quantidade. Acabando com o pouco de moral que o professor ainda prima ter em sala de aula. Um desrespeito a equipe e principalmente ao professor. E ao próprio aluno que sabe q não conseguiu e passou mesmo assim. Quer dizer q a educação virou fake? Indignada!

  2. O que antes era velado agora se tornou escancarado. Dá vontade de dizer logo para os alunos que ninguém mais pode reprovar e dar aula normal, assim como as atividades, mas ao final, quem tirou mais de 7 fica com sua nota normal e desde o que ficou com pouco menos da média até quem não fez absolutamente nada colocar 7. Mas o grande problema é que isso vai gerar ainda mais desmotivação e indisciplina.

  3. kkkkk professor com medo de represália por emitir uma OPINIAO?? KKKKKKK. Então é o ‘poder’ de aprovar e reprovar que dá moral a um professor ??? Os discentes e docentes necessitam de compreensão do processo educacional. Não é uma nota que define isso ou aquilo durante um processo de CONSTRUCOES em especial de crianças e jovens que buscam ‘midelos’ na sua construção de personalidade. abaixo as notas já!!!

  4. Um verdadeiro absurdo isso, meus filhos/as ja terminaram, mas sou vó, tia e preocupo – me com o futuro deles. E mesmo que não fosse, isso aí é uma aberração e deveria ser revisto. Reprovando já tem alunos que não estão nem aí, imagine se não reprovar. Que futuro esse povo estão achando que terão essa geração de hoje meu Deus do Céu? Casa sem base não se firma meu povo. Vergonhoso!!!

    1. Exatamente!!
      Sendo assim, se o aluno já tem 7, o que ele vai fazer na escola?
      Principalmente os que não “querem nada com nada”, e os que querem, ficam totalmente desmotivados, já que os que não fazem, já tem o 7.
      Vergonha!!!

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