Com a filiação da ex-senadora, ex-ministra, ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Kátia Abreu ao PT passamos a ver um cenário político bem distópico. O partido que reúne integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), inclusive com pré-candidato ao parlamento pelo grupo, precisará gerenciar esse conflito, antes externo, agora dentro do partido.
Em 2009, em discurso no Senado, Kátia Abreu disse sobre o MST e da gestão do presidente Lula: “eles não têm medo de nada. Eles não têm limites. O Governo (Federal) está amparando, algumas vezes silenciosamente, outras vezes por intermédio do Incra e do MDA, repassando recursos públicos a cooperativas de fachada, que foram criadas para que os recursos chegassem até o MST”.
Em 2014, em carta a então presidenta Dilma Rouseff o MST repudiou a indicação de Kátia Abreu ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Trecho da nota: “Para nós, essa indicação é contrária às reivindicações dos movimentos sociais brasileiros. Nossa preocupação não está apenas na suposta chegada da referida Senadora ao Ministério da Agricultura e sua provável facilitação na liberação de agrotóxicos e transgênicos, tão nocivos à saúde da população brasileira, mas sim de toda a sua repulsa aos Movimentos Sociais que provavelmente sofrerão mais ainda com a criminalização das lutas e da pobreza.”
Não parece ser tarefa fácil unir esses opostos!
A chegada da ex-senadora ao PT levou setor do partido – tendência Articulação de Esquerda – a questionar essa filiação. O caso foi levado para a Executiva Nacional da sigla, que decidiu numa votação de 22 a 2, pela manutenção da nova filiada.