Cidades

Raul e mais 11 são condenados por esquema na coleta de lixo em Palmas

Da Redação do CP Notícias

O Ministério Público do Tocantins, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), obteve a condenação de 12 réus por lavagem de dinheiro. A decisão da 3ª Vara Criminal de Palmas atinge o ex-prefeito da capital Raul de Jesus Lustosa Filho, além de pessoas próximas a ele: servidores públicos, parentes e amigos.

Todos os condenados incorreram no crime previsto no art. 1° da Lei n° 9.613/98, que trata da prática utilizada para ocultar a origem de dinheiro obtido de forma ilícita. Conforme a denúncia do MPTO, entre os anos de 2006 e 2010, os condenados participavam de um esquema montado para desviar recursos públicos.

deputado estadual Ivory de Lira (PCdoB)

A Delta Construções S.A., uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, usava a empresa –  Plácido Correia da Silva ME – para obter dinheiro de forma ilícita através da contratação fraudulenta para serviços de limpeza pública e coleta de lixo. A estimativa é de que a empresa teria recebido mais de R$ 13 milhões durante o período mencionado.

“Os acusados se associaram, de forma organizada e estruturada, dividindo tarefas, com o fim de cometer crimes de fraudes à licitação, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros, cujas condutas foram realizadas no período correspondente aos dois mandatos do então Prefeito Raul de Jesus Lustosa Filho à frente da Prefeitura Municipal de Palmas”, cita a decisão.

Embora a empresa, caracterizada como microempresa, fosse registrada em nome de Plácido Correia da Silva, as investigações apontam que seu real proprietário era Herberth de Sousa Nogueira Júnior, que à época do registro da empresa era servidor da Secretaria Municipal de Infraestrutura, ocupando o cargo de gerente de Administração Financeira. Herberth de Sousa é cunhado de Plácido Correia.

“Herbert abriu a empresa em conluio com Raul de Jesus Lustosa Filho objetivando o recebimento de propina da empresa Delta em razão de contratos fraudulentos obtidos com a Prefeitura de Palmas”, cita o Ministério Público.

Durante a instrução processual, a Justiça requisitou notas fiscais dos supostos serviços executados ou de produtos fornecidos pela Plácido à Delta. Também solicitou os livros originais com registros de contabilidade no período, mas a justificativa é de que “as documentações já não existem mais por serem muito antigas”. Na sentença, o magistrado considerou que a resposta “é uma clara demonstração de sonegação de informações”.

Origem das investigações

A apuração foi iniciada, em 2015, pelo Gaeco, a partir da análise do Relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que ficou conhecida como “CPMI do Cachoeira”, criada na Câmara dos Deputados para investigar práticas criminosas de Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e de agentes públicos e privados.

Uma operação da Polícia Federal revelou que além da exploração ilegal de jogos, Carlinhos Cachoeira chefiava uma organização criminosa voltada a fraudar licitações com o objetivo de obter dinheiro de forma ilícita. Ele figurava como sócio oculto da empresa Delta Construções S.A., que mantinha contratos com várias prefeituras e estados, com ramificações em todo o Brasil.

Os condenados

Foram condenados, além do ex-prefeito, Amaurismar Mota Sousa (que foi secretário municipal de Juventude e Esportes, assessor de gabinete e diretor de articulação, entre 2005 e 2009), Clemente Barros Neto (secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural de 2006 a 2009), Herberth de Souza Nogueira Junior, Ivory de Lira Aguiar Cunha (ex-vereador que foi casado com uma cunhada do ex-prefeito Raul), Maria Lívia Lustosa Lima (irmã do ex-prefeito) e Moizeniel de Lira Aguiar Cunha (irmão de Ivory).


Também receberam condenação Leonardo de Sousa Bringel (trabalhador, na época, da Delta), Márcio Magalhães (servidor da Prefeitura de Palmas de 2004 a 2008, quando também foi membro da Comissão Permanente de Licitação de Compras, Serviços, Obras e Serviços de Engenharia do Município), Mucio Celio de Araújo (trabalhou na Prefeitura de Palmas na Agência de Serviços Públicos – atual Secretaria de Infraestrutura, Serviços Públicos, Trânsito e Transporte – de abril de 2009 a dezembro de 2011), Rubens Malaquias Amaral (ex-assessor de Raul Filho, na época em que ele ocupava o cargo de deputado estadual, e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Palmas) e Sávio Cesar Nogueira (ex-engenheiro da Prefeitura de Palmas).

Os réus foram condenados a penas que variam de 3 anos a 5 anos de prisão, perda ou impedimento de ocupar cargos públicos, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multas e prestação de serviço à comunidade.

Ivory nega acusações

Em contato com a reportagem, o deputado estadual Ivory de Lira (PCdoB), negou que tenha recebido qualquer vantagem citada nas acusações do Minitério Público e que resultaram na sua condenação. “Tenho plena consciência de que sou inocente, respeito a posição da Justiça, que não quis considerar os nossos documentos anexados ao processo, nos quais mostramos que somos inocentes. Vamos recorrecor, estou muito seguro quanto a minha inocencia, estou traquilho. É um processo em que sou suspeito de ter recebido R$ 5.700,00 em um esquema de lavagem de dinheiro, mas vou provar a minha inocência”, disse o parlamentar.

Raul promete recorrer

O ex-prefeito de Palmas Raul Filho, também fez contato com o Site para comentar a decisão da Justiça. À reportagem, Raul disse que, “vou falar em meu nome e da minha mulher (vereadora Solange Duailibe), são duas ações, uma civel e outra criminal, essa é a civil, mas o que eu tenho a dizer é o seguinte, nós temos plena confiança na Justiça de que quando isso vir para outras instância, vamos conseguir provar de que nada, absolutamente nada, nós devemos, nem eu e nem a Solange”, afirmou o político.

Raul disse ainda que, “sei que todas as pessoas que recebem penas, sempre se colocam como inocentes, mas se existir alguém que não deve nada, que tem a conciência e a paz tranquila, é a Solange e eu. Então nós acreditamos que quando isso for para a segunda ou teceira instância, cremos que haverá uma luz da Justiça para nos inocentar nessa acusação do Ministério Público, pois isso ai se deu por causa de um problema que eu tive la atrás com o Clenan (Renaut de Melo Pereira), que era procurador de Justiça, o problema era pessoal e virou isso, ele colocou o MP para fazer isso ai e o juiz acatou. Todos os fundamentos dessa acusação são baseados tão somente em uma gravação minha com o Cachoeira em 2004, em nenhum lugar o MP consegue mostrar que a minha mulher e eu tivemos qualquer tipo de vantagem”, disparou o ex-prefeito.

Os demais citados

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos demais acusados, mas caso eles queiram se manifestar o espaço segue aberto.

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