Da Redação do CP Notícias

O Sindicato dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado do Tocantins (Sindessto) rebateu, em Nota, as declarações do governador Mauro Carlesse (DEM), na quais ele disse que “as denúncias recentes de corrupção no PlanSaúde tenham relação com mudanças de regras que supostamente teriam reduzido o faturamento dessas empresas”. Carlesse fez tal afirmação na sexta-feira, 23, durante visita as obras do Hospital Geral de Gurupi.
Na nota, o Sindessto classifica as declarações do governador como “infelizes”, e pontua que, “há muitos anos o PlanSaúde não arca com seus compromissos com os prestadores de serviços, pois os atrasos de pagamentos estão sempre violando o contrato que prevê atrasos de no máximo 90 dias”.
Muito pior do que isso, afirma o documento, “é comum que esses atrasos cheguem a terríveis oito meses, forçando os hospitais e clínicas a arcarem com juros de empréstimos para continuarem o atendimento e honrar com o salário dos seus colaboradores, evitando assim a perda do sustento de milhares de famílias, o que abalaria a economia do Estado”.
O Sidessto lembra ainda que “mesmo atrasando o pagamento, o Estado continua recolhendo dos servidores o valor da contribuição do PlanSaúde, tornando claro que os atrasos são propositais para estrangular os prestadores de serviço e forçá-los a cair em armadilhas. Recente notícia no portal G1 deu conta de que o valor que o Funsaúde possui em caixa passa de 300 milhões de reais, enquanto que a dívida do PlanSaúde com os prestadores de serviço chega a 95 milhões – ou seja, fica provado que há o recurso de sobra, só não há a intenção do governo em quitar as suas obrigações contratuais e permitir que as empresas operem com tranquilidade o seu serviço diz a nota do Sindicato.
A crise no PlanSaúde do Tocantins se agravou ainda mais, na semana passada, com a divulgação de um áudio atribuindo a um médico ligado a um hospital particular de Palmas, no qual ele faz sérias denúncias contra pessoas ligadas ao governador. Nas acusações, o médico fala em um suposto esquema de cobrança de propina que chega ao valor de 23% do valor a ser pago pela operadora do plano aos hospitais.
Após a repercussão do caso e provocações do Sindicato dos Servidores Públicos do Tocantins (SISEPE-TO), órgão de Controle como Tribunal de Contas (TCE), Ministério Público (MP) já estão investigando o caso. Na assembléia Legislativa, além de um pedido de CPI em curso, já foi aprovado a convocação do secretário de Administração, Edison Cabral e do diretor do PlanSaúde, Ineijaim Jose Brito Siqueira.
Veja a íntegra da Nota do Sindessto
“O Sindicato dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado do Tocantins – SINDESSTO – vem a público rebater as infelizes declarações do atual ocupante do cargo de Governador do Estado, senhor Mauro Carlesse, que insinua que as denúncias recentes de corrupção no PlanSaúde tenham relação com mudanças de regras que supostamente teriam reduzido o faturamento dessas empresas.
Há muitos anos o PlanSaúde não arca com seus compromissos com os prestadores de serviços, pois os atrasos de pagamentos estão sempre violando o contrato que prevê atrasos de no máximo 90 dias. Muito pior do que isso, é comum que esses atrasos cheguem a terríveis oito meses, forçando os hospitais e clínicas a arcarem com juros de empréstimos para continuarem o atendimento e honrar com o salário dos seus colaboradores, evitando assim a perda do sustento de milhares de famílias, o que abalaria a economia do Estado.
Mesmo atrasando o pagamento, o Estado continua recolhendo dos servidores o valor da contribuição do PlanSaúde, tornando claro que os atrasos são propositais para estrangular os prestadores de serviço e forçá-los a cair em armadilhas. Recente notícia no portal G1 deu conta de que o valor que o Funsaúde possui em caixa passa de 300 milhões de reais, enquanto que a dívida do PlanSaúde com os prestadores de serviço chega a 95 milhões – ou seja, fica provado que há o recurso de sobra, só não há a intenção do governo em quitar as suas obrigações contratuais e permitir que as empresas operem com tranquilidade o seu serviço.
Não bastasse este cenário de atrasos constantes, em que os prestadores mantêm seu compromisso com os usuários, o PlanSaúde ainda opera altos cortes nos pagamentos – as chamadas “glosas” – em valor percentual muito superior ao padrão de mercado, que é de 8%, fazendo com que muitas vezes os hospitais e clínicas retirem dinheiro dos seus caixas e contraiam empréstimos para atender o servidor do Estado – isso se é que recebam o valor do serviço prestado! Estas glosas são feitas sem cabimento e sem critério, com o único intuito de prejudicar os prestadores e poder utilizar este dinheiro do PlanSaúde sabe-se lá onde.
Resumindo, não há como dizer que as regras novas do PlanSaúde reduziram ou reduzirão o faturamento de empresas que sequer estão recebendo!
Confiamos no Ministério Público Estadual e na Polícia Federal para que tragam a verdade à tona. É lamentável que nosso tão jovem Estado, de imenso potencial, seja governado por pessoas indignas dos seus cargos e ofendam prestadores de serviços que atuam com seriedade, pois estes prestadores de serviços têm sido os financiadores do tratamento de saúde dos servidores no lugar do Estado, havendo inversão de obrigação.
Os hospitais e clínicas filiados ao SINDESSTO sempre mantiveram seu compromisso com os clientes usuários do PlanSaúde e com seus quadros de trabalhadores e contam com a colaboração e compreensão de toda a sociedade tocantinense para que este cenário se encerre e a justiça prevaleça para todos os envolvidos”.



