Da Redação do CP Notícias
O deputado Vicentinho Júnior (PL-TO) reagiu a uma publicação da Revista Veja, feita nesta sexta-feira, 19, em que afirma que o governador afastado do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL), usou a polícia para fazer investigações paralelas a seu respeito.
Em um post feito em uma rede social Vicentinho chama o governador e o ex-secretário de Segurança Pública do Tocantins, Cristiano Sampaio, de “canalhas”, além de afirmar que nunca teve dúvidas de que foi vítima de uma “arapongagem”(investigação clandestina).
Canalhas,mil vezes canalhas!!
— Vicentinho Júnior (@vicentinhojr) November 19, 2021
Nunca tive dúvidas que fui vítima de uma “arapongagem”(investigação clandestina) feita pelo ex-secretário da SSP,Cristiano Sampaio à mando do afastado governador @maurocarlesse. A justiça tarda, mas não falha. Que se apure tudo!!@policiafederal pic.twitter.com/fFiIAYnwZ6
Veja teve acesso à íntegra do inquérito que levou ao afastamento do governador por 180 dias. Além das evidências de corrupção, a PF apurou que Carlesse usava o aparato estatal para outros fins. No terreno político, investigava e perseguia adversários. Foram colhidos indícios de que o governador estava por trás de uma investigação ilegal que foi feita contra o deputado Vicentinho Júnior (PL-TO).

O parlamentar teve os telefones interceptados clandestinamente e as informações colhidas foram parar em um dossiê apócrifo. Mas foi na seara pessoal que Carlesse surpreendeu, ao colocar a polícia no rastro de um caso de traição envolvendo a primeira-dama, Fernanda Carlesse, 35 anos.
A história começou em junho do ano passado, quando o promotor de eventos de rodeio Ernandes Araújo procurou os federais para pedir ajuda. Ele havia passado onze dias na cadeia, acusado de uso e tráfico de drogas. O rapaz, abatido e amedrontado, contou que tinha sido vítima de um flagrante forjado. Agentes sem mandado judicial e supostamente investigando uma denúncia anônima invadiram a casa dele e encontraram pacotes de cocaína escondidos. Ernandes foi algemado e preso em flagrante.
Dias antes da operação policial, o promoter tinha sido apontado como autor de um vídeo postado na internet que revelava um caso amoroso entre a primeira-dama e o vaqueiro Welisson Barbosa de Souza. O vídeo mostrava fotos íntimas de Fernanda e cópias de mensagens que ela trocou durante um bom tempo com o suposto amante através de um aplicativo. Na agenda de contatos da primeira-dama, Welisson era identificado como “Natália”. A PF, que já investigava o governador por outras denúncias, acrescentou mais essa ao rol — e, depois de meses de diligências, comprovou que o rapaz estava dizendo a verdade. Ele tinha mesmo sido vítima de uma baita armação.
Os federais recuperaram imagens de câmeras de segurança que mostravam um carro a serviço do Departamento de Inteligência da polícia do Tocantins parado nas proximidades da casa de Ernandes às vésperas do flagrante. Também colheram provas de que a casa do promoter foi invadida no mesmo dia, certamente para “plantar” a droga. E nenhuma das autoridades estaduais conseguiu explicar de onde partiu a tal denúncia anônima. A PF apontou o governador como o mentor da trama.
“Fiquei na prisão e estou pagando por isso até hoje, psicologicamente e também na minha vida profissional. Não consigo arrumar um emprego, já que na minha ficha consta esse flagrante forjado”, diz Ernandes a VEJA. Ele conta que, desde que seu nome apareceu envolvido no caso da traição, sua vida virou um inferno. Amigo de Welisson, o suposto amante, o promoter, por causa disso, logo foi apontado como autor do vídeo, o que ele nega.
A retaliação não tardou, primeiro com ameaças de todo tipo e, depois, com o tal flagrante. Com medo de ser morto, o promoter tenta ingressar no programa de proteção a testemunhas. “Minha vida sofreu uma tremenda reviravolta”, ressalta ele, o único dos personagens que, aparentemente, teve de mudar radicalmente sua rotina. O vaqueiro, que confirmou ao amigo o caso com a primeira-dama, continua morando com a esposa em Gurupi, no interior do estado. Procurado, ele não quis se manifestar.



