Da Redação do CP Notícias

Em representação encaminhada nessa terça-feira, 5, à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Palmas, o promotor Mateus Ribeiro dos Reis, de Alvorada do Tocantins solicitou a abertura de investigação para apurar a exoneração do ex-chefe da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), delegado Evaldo Oliveira Gomes.
O delegado deixou o cargo, por decisão do governador Mauro Carlesse (DEM), no mesmo dia em que a Polícia Civil prendeu um empreiteiro acusado de adulterar asfalto de obras públicas no Tocantins.
Conforme as investigações, o empresário teria contratos com o Estado e vários municípios. As ações da polícia ocorreram em Palmas e Alvorada, simultaneamente.
Na representação encaminhada ao MP em Palmas, o promotor sugere que houve um suposto ato de improbidade administrativa praticado pelos secretários Rolf Vidal (Casa Civil) e Cristiano Sampaio (Segurança Pública), ao exonerarem o delegado.
Conforme explica o promotor, no documento, “em que pese o ato de exoneração não demandar maiores explicações, fato é que a coincidência salta aos olhos até mesmo da mais inocente pessoa, trazendo a suspeita, apta a ensejar investigação por parte do Ministério Público, de que o ato foi praticado com possível violação dos princípios da Administração Pública, o que só poderá ser realmente aferido no bojo de regular procedimento investigatório”, diz.
Ainda segundo o documento, “até esse momento, não há notícia de que o Delegado de Polícia exonerado tenha desrespeitado o regimento interno da Polícia Civil ou descumprido algum dever funcional ao longo das operações policiais, tendo sido, em princípio, observados todos os procedimentos exigíveis, circunstância que torna a exoneração ainda mais suspeita”, pontua o promotor.
Entenda
Ao menos quatro mandatos de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Civil, na manhã da última segunda-feira, 4, em Palmas. Um empreiteiro do ramo da construção com contratos com o Governo do Tocantins e vários municípios do Estado foi preso em um prédio localizado próximo a Praia da Graciosa.
A operação é uma continuidade da operação “Via Avaritia” e visa combater um esquema de corrupção e desvio de dinheiro público na construção de asfalto no Estado.
Na primeira fase da operação, desencadeada em julho deste ano, a polícia prendeu Maria Fernanda Cunha Silva e o seu pai, Geraldo Pereira da Silva Filho. A ação investiga um contrato de R$ 29 milhões para reforma da casa oficial do governador do Tocantins, conhecida popularmente como “Casa Branca”. Agora, a suspeita é que a fraude estaria na composição do asfalto aplicado, na não inclusão de todos os componentes exigidos no contrato, deixando assim o produto mais barato e sem a qualidade.



