Da Redação do CP Notícias
A empresa Recriar Vida Consultoria e Gestão, do Tocantins, é uma das 54 instituições convidadas para participar de uma capacitação organizada pelo UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. A capacitação teve início na última terça-feira, 22 e encerra nesta quinta, 24 e está ocorrendo na sede do IPHAN.

De acordo com o com proprietário da empresa, Ricardo Ribeirinha, que também esteve reunido em Brasília com a Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, na semana passada, um dos fatores que pesou para o convite, são os recentes métodos de formação de pais, jovens e professores no campo da prevenção ao uso de drogas e outras vulnerabilidades associadas, desenvolvidas pela empresa.
Na programação, estão sendo ofertadas palestras e oficinas sobre diversos temas, relacionados aos estudos científicos recentes sobre as drogas, tratamentos convencionados internacionalmente e meios de atuação dos mecanismos públicos de forma coletiva e multidisciplinar. Dentre os temas, destaca-se o conteúdo ofertado quanto as estratégias de orientação e intervenções comportamental e psicossocial e o compartilhamento de experiências relevantes em prevenção e tratamento no Brasil.
Um dos principais pontos de destaque das discussões durante o evento, foi o consenso da necessidade do desenvolvimento de atividades educacionais para pais, jovens e profissionais das áreas de atenção e serviços básicos, como professores e profissionais da rede de assistência social. Para Ricardo Ribeirinha, “a concordância sobre a importância das ações de formação, demonstram que a Recriar Vida está ofertando exatamente o que é determinado como política básica de prevenção das Nações Unidas”.
“O que estamos realizando em todo o país, em cidades como Santa Rita do Sapucaí-MG, que é um modelo, é justamente o que as Nações Unidas entende que deve ser feito em todos os lugares. Preparar pais, jovens, professores, profissionais, enfim toda sociedade para lidar com a prevenção em todos os ambientes. Ficamos felizes em poder contar nossas experiências e acima de tudo ter a certeza de que estamos no caminho certo”, afirmou Ribeirinha.
Prevenção e tratamento
Segundo Kristian Holge, o Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC de 2019, aponta que 275 milhões de pessoas, entre 15 e 64 anos, consumiram drogas, ao menos alguma vez em 2016.
O relatório diz ainda que as mortes causadas diretamente pelo uso de drogas tiveram um aumento de 60%, entre os anos de 2000 a 2015. “Por isso, há que se buscar mecanismos de combate ao uso de drogas, baseados em evidências científicas e que sobretudo coloquem as pessoas em primeiro lugar. Não deve existir lugar para improvisação”, afirmou.
“As convenções internacionais de controle de drogas foram criadas para proteger e promover a saúde pública, particularmente de grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes em risco, pessoas marginalizadas, excluídas, ou pessoas com uma história de trauma emocional, problemas psicológicos e distúrbios de saúde mental concomitantes”, salientou.
“Precisamente, durante a “Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o Problema Mundial das Drogas (UNGASS), realizada em Nova Iorque, em abril de 2016, a comunidade internacional reconheceu que o problema das drogas segue sendo uma responsabilidade comum compartilhada que exige enfoque integrado, multidisciplinar, equilibrado, amplo e baseado em evidências científicas”, acrescentou.
Já o adido da DEA, James Laverty, mencionou o aumento do número de usuários de cocaína e a diminuição do preço. “Na década de 90 havia 14 milhões de usuários regulares de cocaína e, atualmente, existem 21 milhões.
A produção de cocaína mais que dobrou na Colômbia, no Peru e na Bolívia. Nos últimos anos, as apreensões de cocaína têm sido crescentes. Como resultado, o preço da droga no mercado diminuiu em cerca de 60%”, pontuou.
A coordenadora de Programas Globais de Tratamento para Dependentes Químicos do UNODC, Elizabeth Saenz, reforçou a soberania dos países na condução das políticas de combate às drogas. No entanto, o foco central das ações deve ser no público que vem sendo afetado pelo uso das substâncias. “O nosso papel é acompanhar os governos no sentido de proteger a vida dos seres humanos, proteger os direitos das pessoas que estão afetadas pela dependência das drogas ou são vulneráveis a desenvolver um problema pelo uso das substâncias”, pontuou.
Em seguida, Mariano Montenegro (Plan Colombo América Latina) e Elizabeth Saenz realizaram uma dinâmica introdutória, com todos os participantes do evento, com a finalidade de verificar sua experiência e seu trabalho na área de drogas.
Capacitação /UNODC
O UNODC utiliza de seu manual de treinamento para orientar a criação de ações eficazes de prevenção e tratamento do uso de drogas com base em evidências científicas. Essa ferramenta visa a apoiar os Estados-membros no desenvolvimento de políticas, estratégias, programas e intervenções adequadas para prevenir o uso de drogas e aumentar a disponibilidade e acesso à rede de atendimento por parte de pessoas afetadas pelo uso de drogas e transtornos associados.
Desenvolvida especialmente para formuladores de políticas, o objetivo é melhorar o conhecimento, a compreensão e o alcance intersetorial do controle de substâncias psicoativas e, assim, melhorar a qualidade de vida das pessoas em risco devido ao consumo de substâncias psicoativas. Além disso, pretende-se avançar na apropriação e implementação das diretrizes e desenvolvimentos que o Brasil atualmente possui nessa área.



