Por Dermival Pereira
Simara Lustosa, mãe da professora Danielle Christina Lustosa Grohs, de 47 anos, encontrada morta com sinais de asfixia, em sua residência, em Palmas, no dia 18 de dezembro de 2017, fez contato com o Portal CP para pedir justiça pela morte da filha. Simara também pede agilidade no julgamento do processo e que o principal suspeito do crime, o médico e ex-marido da vítima, Álvaro Ferreira da Silva, seja levado ao Tribunal do Júri.

“Minha expectativa como mãe e de toda a família é que seja marcado para logo o julgamento com júri popular e que o assassino cruel seja condenado há 30 anos em prisão fechada, sem regalias. Não domiciliar como está agora e trabalhando”, afirma a mãe da professora.
Dona Simara também pede agilidade no julgamento do processo. “Que Deus ilumine esse juiz que vai assinar a sentença e que seja feito justiça para reparar parte do estrago que esse psicopata Alvaro Ferreira da Silva fez na vida da família e amigos da Danielle, tirando sua vida, júri popular. Peço que o caso seja julgamento em breve”, Pontua.
Julgamento
O processo que trata do assassinato da professora está pronto
para ser julgado, segundo informa o advogado da vítima, Alecrim Edson Ferreira.
Conforme o advogado, todas as fases do processo que precedem o julgamento já
foram concluídas e as alegações finais também já foram apresentadas.
O próximo passo, segundo explica o advogado, é a sentença de
pronúncia, na qual o juiz irá decidir se o réu irá ou não ao Tribunal do Júri.
“Essa decisão agora é o próximo passo, pois todas as partes já apresentaram as
alegações finais, inclusive o Ministério Público que em seu parecer, manifestou
favorável que ele seja levado a júri popular”, afirma o advogado.
Nas alegações do Ministério Público Estadual (MPE), as quais o Portal CP teve acesso, o órgão alega que o médico agiu mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, com reduzida capacidade de reação. Segundo acusa o MPE, “não há dúvidas que o crime foi cometido contra a mulher por razões de sexo feminino, sendo vastos os elementos que comprovam episódios de violência doméstica do médico em relação à vítima”.
Por fim, o Ministério Público solicita ao Judiciário, que Silva “seja pronunciado pelos crimes de motivo torpe, asfixia e feminicídio, com implicações de crimes hediondos, submetendo-se a julgamento no âmbito do Tribunal do Júri”.
Decisão
A última decisão dada no processo ocorreu no último dia 17 de janeiro, data em que o juiz Luiz Zilmar dos Santos Pires, indeferiu pedido da defesa do médico para que testemunhas já ouvidas fossem interrogadas novamente. Na decisão, o magistrado entendeu que “não se faz imprescindível a ouvida das testemunhas referidas no pedido e nem a realização da quebra de sigilo telefônico de testemunha do processo. Isto porque as testemunhas que prestaram seus depoimentos em Juízo foram claras e coesas sobre o que sabiam sobre o fato”, explica.
O juiz pontua na decisão, que “os pedidos da defesa apenas contribuiriam para um prolongamento ainda maior da instrução criminal e não propriamente para a demonstração de alguma causa de exclusão de ilicitude, tipicidade ou culpabilidade”, ressalta, determinando logo em seguida, que as partes fossem intimadas para apresentação das alegações finais.
Oitivas
No dia 11 de dezembro do ano passado foi realizada a segunda e última oitiva do processo, além do acusado, o juiz ouviu uma testemunha de defesa. Ao todo, a audiência durou cerca de quatro horas. A primeira audiência ocorreu em outubro, também do ano passado, quando foram ouvidas oito testemunhas de acusação e seis de defesa.
Entre as testemunhas ouvidas na primeira oitiva, estava a ex-namorada do médico, Marla Barbosa. Durante o interrogatório, ela disse sentir medo do médico e negou que soubesse do crime quando viajou com ele no dia seguinte ao assassinato. Durante o depoimento de Marla, Álvaro foi retirado da sala de audiências,a pedido dela.
O Caso O corpo da professora foi encontrado no dia 18 de dezembro, deitada na própria cama com marcas de estrangulamento. Em 11 de janeiro de 2018, Álvaro Fereira foi preso em um cinema de Anápolis (GO), ele já era considerado foragido da polícia e principal suspeito do crime, em virtude de já ter sido preso por agredir a ex-mulher dias antes do crime. Na época, o Ministério Público chegou a pedir a prisão preventiva dele, mas o pedido foi negado pelo juiz, que determinou a liberdade sem pagamento de fiança.
Após a prisão o
médico conseguiu nova decisão judicial e hoje responde o processo em liberdade.
Ele é monitorado por tornozeleira eletrônica e não pode se ausentar de Palmas
sem autorização da Justiça.
O Portal CP fez contato com a defesa
do médico que preferiu não se manifestar sobre o caso.



