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Carlesse proíbe delegados de criticar autoridades e divulgar nomes de investigados

Por Dermival Pereira

O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Tocantins (Sindepol), Mozart Felix, reagiu ao Decreto publicado na noite desta segunda-feira, 11, pelo governador Mauro Carlesse (PHS), no qual o chefe do Executivo estabelece uma série de proibições aos delegados de Polícia Civil. Pelo Decreto, os delegados ficam proibidos de criticarem autoridades durante entrevistas à imprensa e de divulgar nomes de pessoas investigadas em operações policiais.

Mauro Carlesse, governado do Tocantins

Carlesse também proíbe os delegados de falar sobre as operações na internet (redes sociais, sites e blogs), além de estabelecer que os mandados de busca e apreensão sejam acompanhados pela imprensa e que buscas em órgãos públicos só podem ocorrer após autorização do delegado-geral de Polícia Civil, cargo este de livre nomeação do governador do Estado.

Em entrevista concedida ao Portal CP agora a pouco, o presidente do Sindepol disse que “O Decreto possui vários dispositivos que, ao nosso ver, são inconstitucionais, outros que são ilegais e mais alguns que são contrários à jurisprudência dos Tribunais Superiores”, pontua Mozart Felix.

Conforme Felix o assunto será judicializado. “Já solicitamos à nossa assessoria jurídica que realize estudo acerca das medidas que deveremos tomar para atacar o Decreto judicialmente”.

Quando questionado se no seu ponto de vista, o Decreto pode ser definido como uma perseguição do Governo aos delegados ou uma tentativa de barrar as investigações da Polícia Civil no combate a corrupção no Estado, Felix disse que, “ao lermos dispositivos como o art. 74 e os art. 204 e seguintes do Decreto podemos chegar à conclusão de que se trata das duas coisas”, finalizou o presidente prometendo se pronunciar com mais profundidade nesta terça-feira, após analisar melhor o Decreto.

Impasse X despejo

O desgaste na relação entre o governador Mauro Carlesse e a Polícia Civil do Estado teve início quando a gestão exonerou todos os delegados regionais ainda no ano passado, incluindo o delegado da Regional de Araguaína, Bruno Boaventura. Na época, Boaventura conduzia a operação que desencadeou no escândalo sobre a coleta de lixo hospitalar em Araguaína, pela família do deputado estadual, Olyntho Neto (PSDB). A classe entendeu que as exonerações foram feitas na tentativa de barrar as investigações contra aliados de Carlesse.

Outra situação envolvendo a gestão de Carlesse e a Polícia Civil é a decisão da Justiça proferida nesta segunda-feira, 11,  que decreta o despejo de várias delegacias especializadas da capital de um prédio localizado na Avenida Teotônio Segurado. O motivo da ordem judicial é uma dívida do aluguel no valor de R$ 200 mil. A decisão da Justiça gerou várias críticas de delegados contra a gestão nas redes sociais.

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